São Paulo lidera ações na Justiça por assédio eleitoral no trabalho; veja ranking
Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro aparecem na sequência; terror psicológico é prática mais dominante
2026|Carol Malheiro, do R7
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A Justiça do Trabalho divulgou uma pesquisa inédita sobre assédio eleitoral nas relações de trabalho. O levantamento examinou 662 processos de casos ajuizados no órgão entre maio de 2023 e dezembro de 2025.
Segundo dados do CSJT (Conselho Superior da Justiça do Trabalho), órgão do TST (Tribunal Superior do Trabalho), até agosto de 2026, os números mostram 738 processos ajuizados sobre o tema, e cinco estados concentram mais da metade deles. São Paulo lidera, com cerca de 17,5% das ações. Em seguida, vêm Paraná (14,6%), Rio Grande do Sul (10,5%), Rio de Janeiro (7%) e Santa Catarina (6,3%).
Estado de São Paulo lidera ações por assédio eleitoral
Os TRTs 2 e 15, ambos no estado de São Paulo, são os líderes, com 129 processos: 60 deles apenas na 2ª Região, que abrange a capital paulista, a região metropolitana e municípios do litoral paulista. As demais 69 ações são do TRT 15, que abrange Campinas e outras cidades do interior.
Na sequência, aparecem o TRT-9, do Paraná, com 109 processos, o TRT-4, do Rio Grande do Sul, com 77 ações, o Rio de Janeiro (4ª Região), com 48 processos, e Santa Catarina (12ª Região), com 46.
Somados, os seis tribunais — os dois de São Paulo, os três do Sul e o do Rio de Janeiro — concentram 58,8% dos processos (seis em cada dez), com 409 ações. Apenas o TRT-17, do Espírito Santo, não tem nenhum processo do tipo.
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Veja o ranking completo
| Posição | Estado | Processos |
|---|---|---|
| 1º | São Paulo (SP) | 129 |
| 2º | Paraná (PR) | 109 |
| 3º | Rio Grande do Sul (RS) | 77 |
| 4º | Rio de Janeiro (RJ) | 48 |
| 5º | Santa Catarina (SC) | 46 |
| 6º | Goiás (GO) | 33 |
| 7º | Minas Gerais (MG) | 32 |
| 8º | Amazonas e Roraima (AM/RR) | 29 |
| 9º | Bahia (BA) | 22 |
| 10º | Ceará (CE) | 21 |
| 11º | Pará e Amapá (PA/AP) | 20 |
| 12º | Distrito Federal e Tocantins (DF/TO) | 17 |
| 13º | Pernambuco (PE) | 16 |
| 14º | Piauí (PI) | 16 |
| 15º | Maranhão (MA) | 15 |
| 16º | Rondônia e Acre (RO/AC) | 13 |
| 17º | Mato Grosso (MT) | 12 |
| 18º | Alagoas (AL) | 11 |
| 19º | Paraíba (PB) | 8 |
| 20º | Sergipe (SE) | 8 |
| 21º | Rio Grande do Norte (RN) | 7 |
| 22º | Mato Grosso do Sul (MS) | 5 |
| 23º | Espírito Santo (ES) | 0 |
Terror psicológico aparece como prática dominante entre os casos
A pesquisa mostra que o assédio institucional, que ocorre quando permitido pelas instituições, está presente em 92% dos casos. O terror psicológico foi identificado em 81,9% dos casos analisados.
Já o assédio eleitoral cometido por meios virtuais aparece em 67,4% das situações avaliadas. Conforme o relatório, as redes sociais se transformaram em um importante instrumento de coação e de monitoramento contra os trabalhadores.
A intimidação econômica foi constatada em 61,7% dos processos. Nessas situações, identificaram-se ameaças ligadas a salário, perda de função e oferecimento de prêmios e vantagens.
Como monitorar o assédio eleitoral?
O assédio eleitoral é identificado quando empregadores, gestores, outras pessoas em posição de autoridade e até mesmo colegas tentam influenciar, constranger, ameaçar ou pressionar trabalhadores para que apoiem determinado candidato, partido político ou posição ideológica.
Essa prática pode se manifestar de diferentes formas:
- Ameaças de demissão ou prejuízos profissionais em razão da escolha eleitoral do trabalhador;
- Promessas de benefícios ou vantagens em troca de apoio político;
- Exigência de participação em atos de campanha;
- Fiscalização ou cobrança sobre o voto de empregados;
- Constrangimentos, humilhações ou intimidações relacionados às preferências políticas de trabalhadores.
A Justiça do Trabalho afirma que se compromete a monitorar em tempo real a evolução dos processos e busca identificar rapidamente os casos de assédio eleitoral no trabalho durante as eleições de 2026, atuando desde o dia 1º de agosto com esse foco.
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