Direita cresce na Câmara e pode redirecionar agenda e votações do Congresso Nacional
Fortalecimento da bancada deve dar mais espaço a pautas de segurança, armas e costumes, mas centro continuará decisivo
2026|Bruna Pauxis, do R7, em Brasília
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O fortalecimento da direita na eleição para a Câmara dos Deputados deve mudar, na prática, a agenda e a dinâmica de votação do Congresso Nacional nos próximos anos, segundo especialistas ouvidos pelo R7.
Com uma bancada maior, partidos de direita e centro-direita terão mais capacidade de pautar projetos e pressionar pela votação de temas defendidos durante a campanha, como endurecimento da legislação penal, segurança pública, liberação de armas, agronegócio e pautas de costumes.
O novo equilíbrio, porém, não significa que essas propostas terão caminho livre no parlamento. Para analistas, a composição da Câmara ainda dependerá da posição dos partidos de centro, que, mesmo com mudanças no tamanho de algumas bancadas, continuarão tendo peso para formar maiorias em votações importantes.
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Na opinião do cientista social Tiago Valenciano, membro da Abradep (Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político), a mudança na composição da Câmara é resultado de uma transformação que já vinha sendo observada nas últimas eleições: a ideologia passou a ter um peso maior na escolha dos deputados.
“O perfil para deputado federal e estadual no Brasil mudou. Agora, o candidato não precisa apenas de uma base eleitoral tradicional; ele precisa ter ideologia”, avalia.
Segundo Valenciano, a internet teve papel importante nesse processo ao permitir que candidatos identificados com posições políticas mais claras alcançassem diretamente o eleitorado.
“Os candidatos que conseguiram fazer sua mensagem chegar por meio da internet foram eleitos e ganharam uma proporção não esperada pelos partidos políticos. Além disso, o centro vem perdendo espaço”, observa.
Mais força para a agenda da direita
Na avaliação de Valenciano, o novo cenário deve ter reflexos diretos sobre as discussões dentro da Câmara. Com uma direita mais numerosa, pautas que fazem parte da agenda desse campo político tendem a ganhar mais espaço nas negociações para definição da pauta e nas votações.
“As pautas que veremos avançar no país daqui para frente serão aquelas que a direita já defendia nas eleições, como o impeachment de ministros do STF, que deve ganhar força”, prevê.
Ele avalia que, no sentido contrário, propostas associadas a uma agenda mais identificada com a esquerda poderão encontrar mais dificuldades para reunir votos. “Temas como o fim da escala 6x1 e a revisão das aposentadorias enfrentarão mais resistência”, acredita.
O cientista político Celso Fernandes, também membro da Abradep, concorda que o resultado das urnas deve alterar a correlação de forças dentro da Câmara. “Assuntos como segurança pública, endurecimento penal, liberação de armas, agronegócio e pautas de costumes devem ganhar mais espaço”, afirma.
Ao mesmo tempo, Fernandes prevê maior dificuldade para propostas relacionadas à ampliação de direitos reprodutivos, ao maior controle de armas e a pautas ambientais e de gênero.
Para ele, o avanço da direita, no entanto, não significa que ela terá maioria automática para aprovar seus projetos. “Nenhuma dessas maiorias está previamente garantida; tudo dependerá da posição assumida pelos partidos de centro em cada votação.”
A esquerda perdeu força?
Apesar do avanço da direita, Fernandes pondera que o resultado não pode ser interpretado simplesmente como uma migração do eleitorado de esquerda para o campo oposto.
“O PL cresceu muito, mas a Federação PT-PCdoB-PV também cresceu. Portanto, mais do que uma simples transferência de eleitores da esquerda para a direita, os resultados sugerem uma sociedade politicamente polarizada, com dois polos capazes de mobilizar parcelas importantes do eleitorado”, afirma.
Para o cientista político, o resultado da eleição para a Câmara combina três elementos: uma direita mais forte, uma esquerda que mantém capacidade de mobilização e um centro que, apesar das mudanças na composição de suas bancadas, continua necessário para a formação de maiorias.
“O principal recado das urnas para a Câmara é uma direita significativamente fortalecida, uma esquerda que permanece competitiva e um centro que, embora tenha perdido espaço em algumas de suas legendas tradicionais, continuará sendo indispensável para formar maiorias. A combinação dessa trinca marcará a dinâmica política brasileira na próxima legislatura”, conclui.
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