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WhatsApp vira frente de disputa entre campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro

Canal ‘Exército do Lula’ bate 7,7 milhões de seguidores; ‘Tropa do Flávio’ tem 2 milhões

2026|Arthur Flavio, do R7, em São Paulo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • WhatsApp torna-se um campo de disputa entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, com canais como "Exército do Lula" e "Tropa do Flávio" mobilizando milhões de seguidores.
  • O "Exército do Lula" atingiu 7,5 milhões de seguidores, enquanto a "Tropa do Flávio" tem cerca de 2 milhões, destacando a diferença no alcance digital das campanhas.
  • Controvérsias judiciais surgiram em torno da suspensão e restabelecimento dos canais, com debates sobre a disseminação de desinformação e a integridade das eleições.
  • Especialistas avaliam que a influência dos canais está na mobilização de bases e definição de temas de campanha, mais do que na conversão direta de votos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Canal do 'Exército do Lula' cresce para 7,5 milhões; 'Tropa do Flávio' mantém 2 milhões de seguidores Montagem R7: Ricardo Stuckert/PR; Charles Vieira/ Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro

A três dias do segundo turno das eleições presidenciais, o WhatsApp se tornou mais um campo de disputa entre as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Por meio de canais administrados por aliados políticos, os dois lados mobilizam milhões de seguidores com missões para conquistar votos e ampliar a circulação de mensagens favoráveis aos candidatos.

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Os principais exemplos são o “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), e a “Tropa do Flávio”, criada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Embora não sejam os canais oficiais dos presidenciáveis, os grupos concentram parte importante da mobilização digital das campanhas.

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Daniela Alarcon, assessora estratégica da Bites, empresa de análise de dados digitais, avalia que o crescimento representa uma mudança no cenário da disputa política nas plataformas de mensagens. Historicamente, segundo ela, WhatsApp e Telegram foram territórios dominados pela direita, que consolidou redes de mobilização durante o governo Jair Bolsonaro (2019-2022).

“Estamos testemunhando neste segundo turno um fenômeno inédito de organização digital e que, até por isso, gerou um fator inesperado pela campanha de Flávio”, diz a assessora.

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Alek Maracajá, especialista em inteligência digital e diretor da AtivaWeb DataLab, lembra, contudo, que o tamanho dos canais não revela toda a dimensão das redes políticas no aplicativo.

“O campo bolsonarista opera desde 2018 numa rede descentralizada de grupos, então, um canal menor não significa presença menor no WhatsApp”, explica.

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‘Exército do Lula’ cresce

O “Exército do Lula” ultrapassou a marca de 7,7 milhões de seguidores nesta quarta-feira (21), enquanto a “Tropa do Flávio” reúne cerca de 2 milhões.

Os canais oficiais dos presidenciáveis têm números menores. O de Lula conta com pouco mais de 2 milhões de seguidores, e o de Flávio, com pouco mais de 200 mil.

A diferença também aparece no ritmo de crescimento. Em 10 de outubro, o canal administrado por Janones tinha cerca de 3 milhões de seguidores. Dez dias depois, já havia superado os 7 milhões, mais que dobrando de tamanho em menos de duas semanas — o que faz parte da estratégia da campanha lulista de apostar em redes digitais.

Na avaliação de Daniela, o fato de o canal ser liderado por Janones, que não é filiado ao PT, também contribui para apresentar a mobilização como um movimento progressista mais amplo, capaz de atrair pessoas além da militância petista tradicional.

Já a “Tropa do Flávio”, criada posteriormente, está estabilizada na faixa de 2 milhões de seguidores por alcançar, principalmente, o núcleo mais engajado do bolsonarismo.

Os dois canais adotam estratégias semelhantes. Os administradores publicam comandos, chamados de “missões”, que incentivam os seguidores a compartilhar conteúdos, abordar eleitores e manter determinados assuntos em circulação nas redes sociais.

‘Seguidor não é voto!’

Para Maracajá, diretor da AtivaWeb DataLab, o número de inscritos não é suficiente para medir a influência dessas iniciativas sobre o eleitorado. “Seguidor não é voto”, afirma.

Segundo ele, é necessário avaliar também o engajamento, a circulação das mensagens em outras plataformas e a capacidade de influenciar pessoas que ainda não estão convencidas.

Proposta de suspensão dos canais

A atuação dos canais também provocou uma disputa judicial.

Na semana passada, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, determinou a suspensão do “Exército do Lula”, após um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que alegou “disseminação de desinformação”.

O canal foi restabelecido pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, mas acabou suspenso novamente por Nunes Marques, que argumentou que a ferramenta tinha vínculo com a campanha oficial e deveria estar registrada no TSE.

O “Exército do Lula” foi liberado depois que a campanha realizou o registro exigido.

Em meio à controvérsia, uma minuta de resolução do TSE propôs desativar canais políticos com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas anteriores e nas 24 horas posteriores ao segundo turno.

O texto, redigido pelo ministro André Mendonça, vice-presidente da Corte, foi barrado por Nunes Marques nesta quarta-feira (21).

A proposta buscava proteger a integridade da eleição no período próximo à votação. Se aprovada, atingiria tanto o “Exército do Lula” quanto a “Tropa do Flávio”.

Para a assessora da Bites, a medida poderia reduzir a circulação de determinados conteúdos, mas não impediria que a mobilização migrasse para outros canais. Ela também avalia que uma mudança de regra às vésperas da votação poderia ampliar a controvérsia sobre a atuação do tribunal, especialmente diante dos questionamentos da campanha de Lula sobre decisões envolvendo o canal.

Maracajá faz uma ressalva semelhante: “A medida provavelmente reduziria disparos em larga escala, mas não há evidência suficiente para afirmar que reduziria a desinformação como um todo”.

Mobilização pode influenciar a reta final

Diante da possibilidade de novas restrições, Janones começou a direcionar seguidores do “Exército do Lula” para seu perfil pessoal no Instagram, como alternativa para manter a comunicação com os apoiadores, caso o canal seja suspenso novamente.

Para Daniela Alarcon, a atuação de Janones se tornou um fator de pressão para a campanha de Flávio. Embora a direita tenha um histórico mais consolidado de mobilização digital, ela avalia que o candidato do PL ainda não conseguiu construir uma frente equivalente à do canal pró-Lula em volume de seguidores e adesão às missões.

Maracajá também avalia que o peso eleitoral desses canais está menos na conversão direta de eleitores e mais na mobilização da base e na definição dos assuntos que dominam a reta final da campanha.

O impacto dependerá da capacidade de alcançar pessoas fora das próprias bolhas políticas.

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