Pantoja quer ‘final feliz’ contra Joshua Van no UFC e revela o que mudou desde a primeira luta
Após perder o cinturão por conta de uma lesão, brasileiro revela sua preparação para revanche e fala sobre família, amadurecimento e o desejo de voltar ao topo
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Alexandre Pantoja chega ao UFC 331, neste sábado (19), com uma missão que vai muito além de simplesmente vencer uma luta. Aos 36 anos, o brasileiro terá a oportunidade de recuperar o cinturão dos pesos-moscas diante de Joshua Van, o mesmo adversário que o derrotou na primeira luta entre eles, em dezembro de 2025. Na ocasião, o combate terminou em apenas 26 segundos, depois que Pantoja sofreu uma lesão no cotovelo.
Agora, recuperado e novamente diante do americano, o brasileiro encara a revanche como uma oportunidade rara na carreira. “Perdi meu título com uma lesão, que foi um acidente, e hoje tenho a oportunidade de me tornar campeão novamente e reescrever essa história de uma maneira única”, afirma.

Mas, se dentro do octógono a meta é voltar ao topo, fora dele Pantoja diz ter encontrado uma perspectiva diferente sobre a própria trajetória. Depois de anos dedicados ao MMA e de muitas viagens longe de casa, ele valoriza cada vez mais os momentos ao lado da esposa e dos dois filhos. “Eu não poderia querer ser um lutador melhor se não me tornasse um homem melhor”, resume.
Em entrevista ao R7, Alexandre Pantoja fala sobre a lesão que mudou o rumo da primeira luta, a preparação para a revanche, a evolução como atleta, a importância da família e os planos para o futuro; inclusive, o desejo de ajudar crianças por meio de projetos sociais.
Confira a íntegra da entrevista:
R7 Entrevista: A primeira luta contra Joshua Van terminou de uma forma inesperada, com a lesão no cotovelo em apenas 26 segundos. Como foi voltar para casa e lidar emocionalmente com aquela derrota?
Alexandre Pantoja: Acho que o mais difícil foram os primeiros 20 minutos depois da lesão. O chão abre para a gente, a gente fica sem saber como sair. Mas acho que tenho uma qualidade: aprendo muito rápido com as coisas, com meus erros. Então, já entendi. No fim das contas, hoje sou muito grato por tudo que aconteceu comigo e pela oportunidade que tenho agora de me tornar campeão novamente.
Eu acredito que tenho uma oportunidade que nenhum outro campeão do UFC teve. Perdi meu título com uma lesão, que foi um acidente, e hoje tenho a oportunidade de me tornar campeão novamente e reescrever essa história de uma maneira única. Isso é uma grande motivação.
Claro que sou o cara que tem que ir lá e fazer esse final feliz acontecer. Estou muito seguro e muito focado, mas sou muito grato.
R7 Entrevista: Agora, na revanche, como você está encarando a possibilidade de recuperar o cinturão? É uma questão de dar a volta por cima?
Alexandre Pantoja: Acho que são vários pontos. Conforme a luta vai chegando mais perto, alguns ficam mais fortes que os outros. A questão de me tornar campeão novamente é algo único. Quero muito me tornar campeão. A representação de um cara campeão mundial é muito grande, e eu gosto dessa representatividade que posso ter.
Mas, conforme a luta vai chegando, o financeiro também importa muito, como pai de família, obviamente. Só que, até chegar lá e subir no octógono, acho que o mais importante passa a ser a vitória.
Tudo que eu fiz, tudo que trabalhei para chegar ali... nesse momento não importa mais o título, não importa mais o financeiro, não importa mais nada. O que importa é que tenho que ir lá e sair vitorioso naquela noite.
Enfrentar um dos maiores atletas do mundo e vencer é algo muito especial. Quando eu era bem novo no esporte, queria lutar contra os melhores lutadores do mundo. Hoje eu posso. Estou no maior cenário e no maior evento do mundo. No final, é poder vencer e me consagrar o melhor do mundo.
R7 Entrevista: Como foi o processo de recuperação da lesão? Você se sente 100% preparado para a revanche?
Alexandre Pantoja: Eu me sinto ainda mais preparado. Trabalhei muito o meu corpo físico. Voltei para a academia logo em seguida; dois ou três dias depois da lesão, já estava treinando novamente.
Sabia que, se tivesse que parar por causa da lesão, perderia muito tempo, meu corpo ia mudar. Então, não parei, continuei treinando, e acho que estou em uma forma física muito boa, muito forte. Dediquei-me muito na academia, e isso depois apareceu nos treinamentos, mostrando o quanto eu estava forte. Acho que foi uma recuperação muito boa.
Já tive outras lesões e elas me deixaram mais forte. Essa também foi uma delas. Tenho certeza de que foi um marco na minha vida, mas uma coisa que me deixou ainda mais forte.
R7 Entrevista: Você já enfrentou diferentes gerações dos pesos-moscas. O que torna diferente lutar contra o Joshua Van?
Alexandre Pantoja: Acho que ele traz muito essa juventude. Eu tenho atletas novos na minha academia também e o cardiovascular do pessoal mais novo é muito forte. A recuperação é mais rápida.
Você tem que estar muito pronto para esse ímpeto de não parar, para enfrentar alguém que vai estar vindo toda hora, que não cansa.
Também existe uma diferença, porque hoje enfrentamos atletas dessa geração que têm 20, 24 anos e já vêm para lutar tendo o MMA como base. Eu tive minha primeira base no jiu-jitsu, depois fui para o muay thai e a transição aconteceu. Hoje você vê os atletas já chegando e fazendo o combo total.
Eu sempre me considerei um cara old school, até para a minha geração. Tenho um background e aprendi muito vendo os lutadores antigamente.
Minha filosofia é de respeitar muito as artes marciais. Você vê essa geração nova sabendo usar mais a internet, buscando mais fama e visibilidade, enquanto sou um cara muito mais reservado, tranquilo, que quer estar com a família.
No octógono, tudo isso também faz diferença. Vou enfrentar um garoto que tem toda essa geração de suporte, essa juventude, esse ímpeto, essa vontade. E, de certa forma, isso até me ajuda a ter a calma, a tranquilidade e a sabedoria que tenho hoje.
R7 Entrevista: Quando você olha para o início da sua carreira e para o atleta que é hoje, o que mais evoluiu: a técnica, a parte mental, a leitura dos adversários?
Alexandre Pantoja: A evolução é gritante. E uma grande dica que dou para todo mundo, que serve para qualquer área de trabalho, é: invista em você mesmo. Sempre que podia, eu ia para outras academias, buscava conhecimento. Acho que isso fez uma grande diferença.
Mas uma coisa legal é que continuo com a mesma vontade que tinha quando comecei. A vontade continua igual. Você manter essa vontade de jovem, aquela vontade lá atrás, é muito importante para continuar aprendendo.
Tem aquela história de você nunca ter que estar com o copo cheio, sempre o copo meio vazio. Você sempre tem a oportunidade de aprender.
A maturidade que tenho hoje também é importante. Não voltaria ao passado para mudar nada. Sou muito grato por tudo que aprendi, pelos erros e acertos. Estou muito feliz com a trajetória.
Uma das minhas grandes influências também é minha esposa, que me ensinou a ser uma pessoa muito melhor, como pai, marido e homem.
Sou muito grato por todo esse amadurecimento que tive na carreira, não só dentro do octógono, mas fora também. Eu não poderia querer ser um lutador melhor se não me tornasse um homem melhor. Acho que tem que estar em conjunto. Primeiro, você tem que tentar ser uma pessoa melhor e, assim, consegue ser um atleta melhor.
A minha última derrota me mostrou muito isso. Eu sempre quis ser um atleta muito bom, mas existem certas coisas na vida que você não tem como explicar. Foi um acidente que aconteceu, e eu perdi o cinturão. E aí vejo que é importante saber onde você quer chegar, mas também aproveitar cada momento, cada pessoa que está do seu lado, viver o que está acontecendo. Por mais que o título seja muito importante, acho que, no dia a dia, você precisa saber aproveitar cada momento.
R7 Entrevista: Quem está ao seu lado desde o início da carreira? Quem é seu principal suporte?
Alexandre Pantoja: Gosto muito de falar que sou feito de outras pessoas. Assim como todo mundo, você é feito de várias pessoas que influenciaram sua vida.
É muito legal ver essa transição. Nasci em Copacabana, fui para Arraial do Cabo, uma cidade no interior do Rio de Janeiro, e tive várias pessoas que me ajudaram a subir, tanto mental quanto fisicamente, em vários aspectos. Essas pessoas continuam comigo. Consigo manter contato com elas e elas se sentem representadas por mim lá dentro.
Minha família, obviamente. Minha mãe, que sempre esteve ao meu lado e sempre foi um grande exemplo para mim. Meus irmãos, meus treinadores, meus primeiros treinadores, as pessoas de Arraial do Cabo, onde eu passava. Muito antes de fazer viagens internacionais, elas diziam que eu chegaria onde cheguei hoje. Sou muito grato a essas pessoas.
Hoje faço parte da American Top Team, na Flórida, há oito anos. A academia me deu todo o suporte para eu virar o campeão que sou hoje.
E, sem sombra de dúvida, minha família, minha esposa e meus dois filhos são meus alicerces. São as coisas mais importantes que tenho. Gosto muito de falar sobre isso porque pode ser libertador para muitas pessoas. Às vezes, a gente busca muitas outras coisas, quando, na verdade, o que temos de melhor está dentro da nossa casa: nossa família.
Perdi muitos anos viajando para os Estados Unidos enquanto minha família ficava no Brasil. Então, hoje, quero estar cada vez mais em contato com eles. Vou representar tudo isso que faz de mim quem eu sou.
R7 Entrevista: E fora do octógono? O que pouca gente conhece sobre o Alexandre Pantoja? Você consegue se desligar do MMA e curtir com seus filhos?
Alexandre Pantoja: Eu sou um cara chato. Fico em casa, gosto de ficar em casa. Gosto de ir à praia com meus filhos e de vê-los crescendo. Quero muito ser avô. Quero muito ver a representatividade que tive nos meus filhos, vê-los criando os filhos deles.
Tenho grandes planos de querer ajudar muitas crianças. Fui uma criança que não teve tanta atenção e vejo o quanto as crianças não têm a devida atenção que merecem e o quanto a gente pode ajudar nesse caminho.
Para esse mundo de hoje, que quer coisas superglamourosas, sou um cara meio chato. Ou, como as pessoas falam, mais reservado.
Tenho 36 anos, ralei para caramba para estar onde estou. Ralei muito. E agora consigo curtir um pouco mais e aproveitar tudo o que fiz.
Gosto de ficar em casa. Tenho meus cachorros, dois American Bullies, que amo de paixão. Gosto de estar em casa com meus cachorros e meus filhos, vendo filme com eles, jogando, qualquer coisa que meu filho queira.
Isso é um grande privilégio que tanto eu quanto minha esposa conquistamos. Poder almoçar e jantar com seus filhos, colocá-los para dormir. Eu venho de uma geração em que a pessoa trabalha de manhã até a noite, cansada, e muitas vezes não tem tempo para estar com a família porque está cansada, estressada.
Então, vejo que sou um cara privilegiado de ter esse momento com eles. Um privilégio que a gente fez por merecer, que a gente conquistou. Sou muito feliz com isso.
R7 Entrevista: Você falou sobre a vontade de ajudar crianças. Pensa em desenvolver algum trabalho nessa área, especialmente ligado às lutas ou ao esporte?
Alexandre Pantoja: Acho que é uma grande oportunidade. Criança é um diamante bruto. Se a gente souber lapidar, vai sempre cair para um lado bom.
Quando a gente vai ficando adulto, vai pegando vícios, manias e coisas que machucam e, às vezes, até destroem quem a gente gostaria de ser.
Eu tive boas pessoas, mestres. Não só mestres no tatame, mas mestres de vida. Pessoas com quem aprendi muito. Para mim, é uma oportunidade incrível.
Quando você é campeão do UFC, de um evento tão importante, recebe convites para estar em certos lugares que não receberia se não fosse quem é. Estive algumas vezes em um hospital do câncer, com crianças. Também participei de projetos muito bacanas com outras crianças, em iniciativas em que os pais precisam trabalhar o dia inteiro e o projeto acaba sendo uma saída incrível.
Tenho amigos que têm um projeto em Arraial do Cabo também. As crianças ficam lá e, como pai, penso: se trabalho o dia inteiro e sei que meu filho está em um lugar acolhedor, isso me dá paz e tranquilidade.
É um efeito borboleta incrível. Os pais também são atingidos porque sabem que os filhos estão bem cuidados e conseguem trabalhar com tranquilidade. Trabalhar com crianças é uma oportunidade incrível. Você consegue tirar um pouco da atenção dos pais e ajudar também. Acho que é por aí o que quero fazer.














