Relação entre Cuba e EUA piorou sob Donald Trump, diz embaixador cubano no Brasil
Ao R7, Cairo Palomo expôs como bloqueio imposto pelos EUA acumula perdas trilionárias e amplia crises sociais e econômicas
Entrevista|Deborah Hana Cardoso, da RECORD
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O bloqueio econômico dos Estados Unidos contra Cuba já provocou prejuízos de US$ 2,1 trilhões ao país desde 1960, segundo o embaixador cubano no Brasil, Víctor Manuel Cairo Palomo. Em entrevista ao R7, ele afirmou que a relação entre os dois países se deteriorou durante o governo de Donald Trump e que as medidas adotadas pelo presidente norte-americano aumentaram a pressão sobre a ilha.
Segundo Cairo Palomo, o bloqueio custou US$ 7,5 bilhões a Cuba entre março de 2024 e fevereiro de 2025. No período seguinte, até fevereiro de 2026, os prejuízos teriam superado US$ 8 bilhões.
O embaixador afirmou ainda que as restrições afetam o fornecimento de petróleo, a geração de energia e o funcionamento de hospitais. Segundo ele, parte da população cubana chega a passar mais de 20 horas por dia sem eletricidade.
ENTREVISTA
R7: O bloqueio dura décadas e muitos presidentes passaram pela Casa Branca. Como tem sido o diálogo com o governo de Donald Trump?
Cairo Palomo: O governo Trump adotou medidas cruéis, reforçando, como nenhum outro governo norte-americano, a agressividade contra Cuba. É um governo decidido a destruir nosso país, que vê a América Latina e o Caribe como povos menores e subordinados aos interesses dos Estados Unidos. Apesar disso, houve tentativas de diálogo, mas sempre muito difíceis, porque os EUA buscam impor um modelo de destruição a Cuba.
R7: Então Cuba está aberta ao diálogo com os Estados Unidos?
Cairo Palomo: Sempre estivemos abertos ao diálogo, mas sempre com respeito e igualdade soberana. Cuba não discute mudanças no sistema político dos EUA, nem em seus problemas sociais. Da mesma forma, não aceita que os EUA tentem mudar o sistema político cubano. O diálogo deve ser entre países vizinhos e iguais.
Cuba está aberta a discutir comércio, narcotráfico e crime organizado, mas não aceita interferência em seu sistema político.
R7: Quais os custos do bloqueio para a economia cubana?
Cairo Palomo: O impacto é brutal. Entre março de 2024 e fevereiro de 2025, o bloqueio custou US$ 7,5 bilhões. De 2025 a fevereiro de 2026, já eram mais de US$ 8 bilhões. Em mais de 60 anos, os prejuízos somam US$ 2,1 trilhões. Além disso, há o impacto humano: aumento da mortalidade infantil, falta de eletricidade para incubadoras, famílias passando até 20 horas sem energia.
R7: Fale um pouco sobre a questão energética do país.
Cairo Palomo: Estamos diante de um país [Estados Unidos] que não permite a entrada de petróleo em Cuba. Isso tem um custo em toda a economia que é brutal, e como se mede o impacto de uma mãe que dá à luz e seu filho morre por não ter eletricidade? Como se mede economicamente o impacto da mortalidade infantil em Cuba, que passou em menos de 7 meses de 4 para 9,9 por cada 1.000 nascidos vivos?
Há mais de 1.780 recém-nascidos que morrem porque não têm eletricidade, porque nascem com baixo peso e precisam de incubadora sem energia. Como calculamos o sofrimento dos milhões de cubanos que ficam todos os dias mais de 20 horas sem corrente elétrica?”
R7: Onde está o Brasil neste cenário?
Cairo Palomo: Cuba e Brasil têm uma relação muito amistosa. Somos países muito próximos. O governo brasileiro acaba de doar, como ajuda humanitária, 48 toneladas de leite em pó — dois aviões da Força Aérea Brasileira chegaram recentemente a Cuba, o que agradecemos profundamente. O governo brasileiro também enviou medicamentos. O povo brasileiro demonstra grande solidariedade: pessoas viajam a Cuba levando medicamentos em suas malas para hospitais oncológicos e para crianças doentes.
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