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48 horas em Madri

A capital da Espanha se destaca pelas artes, gastronomia e vida noturna

Internacional|Do R7

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Não é à toa que Madri está situada exatamente no centro geográfico da Espanha. A capital sempre viu representada em si as outras regiões do país – o que significa que o flamenco ali é tão vibrante quanto em Sevilha e o peixe, tão fresco como em Vigo. Porém, há mais ou menos há dez anos, a imigração e alguns outros fatores a tornaram mais sofisticada e mais diversificada, com um cenário de arte contemporânea promissor, inúmeras áreas verdes, alguns dos melhores restaurantes étnicos do país e uma vida noturna sem igual. E, apesar de tudo isso, em alguns bolsões ainda é possível saborear o clima de interior e as tradições locais. "Agora somos muito mais cosmopolitas e abertos", diz Rosa Rivas, repórter do jornal El Pais, quarta geração de uma família madrilenha, "mas ainda gostamos de manter os laços com as tradições de bairros pequenos".

Primeiro dia


Manhã: Caminhada entre obras-primas

Comece o dia no Triângulo Dourado do centro. Cada um dos três maiores museus de arte de Madri (todos a curta distância um do outro) é uma joia em si: o Prado, com pinturas de Velazquez e Goya; o Rainha Sofia, que abriga "Guernica", de Picasso, e o Thyssen-Bornemisza, com uma coleção muito peculiar que inclui Fra Angelico e Marc Chagall. O problema é que os acervos são tão imensos que dá para passar o dia inteiro ali, sabendo que ainda há uma infinidade de obras a conferir. Melhor se concentrar só numa parte de um deles – como, por exemplo, a Sala 67 do Prado, onde estão expostas as perturbadoras "pinturas negras" de Goya.


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Tarde: Sabores únicos


As mudanças no gosto popular e as dificuldades econômicas da Espanha levaram alguns dos maiores chefs a buscar alternativas para a alta gastronomia. O Estado Puro, de Paco Roncero (que trabalhou com Ferran Adrià) é um dos melhores exemplos, tanto pela decoração elegante (os pentes de cabelo usados pelas dançarinas de flamenco, as peinetas, cobrem o teto e as paredes) como pelas deliciosas tapas. Uma combinação de pratos tradicionais (como a fritada de bacalhau) e modernos (como os sanduíches com cebola caramelizada), são opções para um almoço perfeito. Nas ruas bem cuidadas do Barrio de Salamanca o que não falta são lojas de grife como Prada e Manolo Blahnik, no melhor estilo Quinta Avenida; já do outro lado do Paseo de la Castellana, o descolado Barrio de las Salesas está mais para o SoHo. Na Theorema, a estilista Mimma Anelli cria vestidos de noite que vão desde o mais extravagante ao mais sofisticado. A My Room Zapatos vende sapatos estilo Oxford em três cores e bolsas com detalhes em pele num salão que parece o sótão de uma tia querida com inclinações boêmias. Para completar, vale experimentar a torta de dulce de leche ou o macaron de framboesa da Mama Framboise.

Noite: A saideira e uma bela vista

Se quiser dar um tempo nas tapas, saia para conferir a nova tendência que virou febre na cidade: os restaurantes étnicos de luxo. Um dos melhores – e talvez o melhor mexicano de toda a Europa – é o recém inaugurado Punto MX. Além das tortillas feitas na hora e do guacamole montado na mesa, o chef Roberto Ruiz prepara pratos autênticos como carne de porco assada com tortillas recheadas de feijão preto (panuchos) e enchiladas de pato com molho verde de semente de abóbora.

E, se para você a noite estiver apenas começando (a casa fecha à meia-noite), pode subir ao terraço na cobertura do Palácio de Cibeles para tomar uma saideira e apreciar a vista. O Ramsés atrai os belos e descolados de Madri, que bebericam gim tônica, o drinque do momento na Espanha, ao ar livre ‒ no terraço que dá para a Porta de Alcalá, na Praça da Independência ‒ ou no salão barroco em preto e prata decorado por Philippe Starck.

Segundo dia

Manhã: Em clima de realeza

Comece o dia no Barrio de los Austrias, a parte da cidade construída pelos Habsburgo quando fizeram de Madri a capital da Espanha. O Cafe del Oriente, bom para saborear uma guloseima e o "café con leche", é um dos mais grandiosos da cidade, com seu balcão dourado, banquetas de veludo e senhores de idade lendo calmamente o jornal. Do outro lado da Plaza de Oriente, o Palácio Real (aberto ao público) é um monumento de opulência, com pinturas de Velazquez e Caravaggio, mobiliário decorado e gabinetes de vidro exibindo frascos com plantas medicinais. Uma experiência mais intimista o aguarda no Panteão de Goya, na Capela San Antonio de Florida, onde o pintor genial criou afrescos no teto e hoje está enterrado. Quando a fome bater, vá à feira San Miguel, verdadeiro paraíso que oferece delícias de todos os tipos. As barracas vendem desde o famoso presunto pata negra a porções de lula frita; moradores e visitantes dividem amigavelmente as mesas disponíveis.

Tarde: Prazer no parque

Em 2011, a prefeitura inaugurou o Madrid Rio, um parque de quase 10km de comprimento, ideal para caminhadas, criado a partir de uma rotatória antiga ao longo do rio Manzanares. Ali há um café e é possível alugar bicicletas e caiaques. No extremo leste fica o Matadero Madrid, o espaço cultural mais instigante da cidade, já que, como o nome diz, abrigou um matadouro e mercado de animais. Em seus prédios mouros industriais hoje acontecem os mais variados concertos e exposições. A instalação de Jordi Colomer, por exemplo, "Prohibido Cantar", que mostra como se desenvolvem as cidades, acontece na antiga câmara frigorífica.

Noite: Prazeres da noite

"Hoje, quando se pensa em comida espanhola, só se fala em técnicas e combinações malucas", afirma o chef Juanjo Lopez, "mas há o outro lado, que inclui usar os melhores ingredientes e respeitá-los". Em seu restaurante, o pequenino La Tasquita de Enfrente, ele faz justamente isso, mal cozinhando ervilhas minúsculas para realçar seu sabor e grelhando levemente um pedaço de arraia antes de cobri-lo com um molho picante de manteiga marrom e alcaparras. Madri é famosa por sua vida noturna e é nos bairros de Chueca e Malasana que ela ferve. Há música indie no hipster Zombie Bar, onde se apresenta o Zombie Kids; já no TupperWare Bar (kitsch, com decoração inspirada nos anos 50 e 60) é um dos mais tradicionais. O El Junco é um clube de jazz intimista que atrai os fãs da música ao vivo enquanto o Pacha é o favorito da moçada que prefere dançar. Para fechar a noite, faça como os madrilenhos e passe pela Chocolateria San Gines para comer churros com chocolate quente, de preferência quando o sol já estiver nascendo.

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