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A quilômetros de distância, casais superam saudade e pânico para ficarem juntos

Eles não aguentaram a distância e largaram tudo para viver a paixão em uma terra diferente

Internacional|Marcella Franco, do R7

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Os casais Pedro Sala e Renata Chiurciu (duas fotos no alto), e Renata Picoli e Matheus Gonçalves (acima), que fizeram sacrifícios em nome do amor
Os casais Pedro Sala e Renata Chiurciu (duas fotos no alto), e Renata Picoli e Matheus Gonçalves (acima), que fizeram sacrifícios em nome do amor

O coração acelera, as pernas ficam bambas, dá um frio na barriga — é o amor! Mas, e se esse sentimento tão poderoso e arrebatador chegar em circunstâncias complicadas, como, por exemplo, um oceano de distância separando o casal. O que fazer?

Quando a paixão vem desse jeito, impondo a distância como uma pedra no caminho, é preciso pensar com calma se o sacrifício vale a pena.


Mas se a decisão for a de encarar um relacionamento longe da pessoa amada, o primeiro passo é acreditar no amor.

É isso o que ensinam os paulistas Matheus Gonçalves, de 31 anos, e Renata Picoli, de 28, que se viram diante desse dilema e resolveram enfrentá-lo. O casal passou mais de um ano tendo que administrar um amor que só podia existir via internet — quando funcionava —, com ele nos EUA e ela em Angola.


Em nome do amor, namorada leva até “jacaré” em avião

Depois de um rápido relacionamento dez anos atrás, Matheus e Renata se reencontraram em 2011 e se “reapaixonaram”.


Estavam felizes aos três meses de namoro, quando veio a notícia inesperada: o emprego dos sonhos de Renata caiu no colo dela, mas ela precisaria morar em Angola.

“Eu sabia que seria uma excelente oportunidade para a minha vida, e o Matheus me apoiou desde o começo”, conta ela, que aceitou trabalhar na área de vigilância epidemiológica de AIDS, no Ministério da Saúde angolano.


Ele, por sua vez, conta que foi um período “superpesado”, mas que tinha que deixá-la ir. “Eu falei que, para onde quer que ela fosse, eu estaria com ela”, lembra Matheus, analista de sistemas de uma multinacional de TI.

A partir dali, o casal montou um esquema que incluía as quatro passagens anuais às quais Renata tinha direito no emprego, todas as ferramentas de comunicação virtual disponíveis, e um esforço grande para contornar a diferença de fuso, que chegou a seis horas quando Matheus se mudou para os EUA, em junho de 2012, por conta do trabalho.

“Como Angola é um país em desenvolvimento, vivíamos, muitas vezes, com água racionada, energia variando e a internet, claro, intermitente”, lembra-se ela.

— Mas a gente não sossegava enquanto não se falava pra dizer que estava tudo bem.

Depois de um ano trabalhando em Angola, o amor "gritou" mais alto. Renata arrumou as malas, deixou o emprego e foi morar nos EUA, ao lado de Matheus.

— Não tem quem aguente a saudade de se ficar longe de quem se ama.

Agora juntinhos nos EUA, o casal diz que o importante é não desistir.

— Acreditem no amor, acreditem, mesmo!

Mistura de saudade e pânico

O espanhol Pedro Sala, 40 anos, acreditou no amor logo de cara. Já a brasileira Renata Chiurciu, 42, foi um pouco desconfiada.

Eles se conheceram em uma discoteca de Madri, em 2011, apresentados por amigos em comum. Após o primeiro encontro, os dois resolveram se ver diariamente até a despedida dela, dali a uma semana.

“Ele me falou no aeroporto que me encontraria em um mês”, relembra Renata.

— Eu pensei que ele estava dizendo aquilo só para me agradar. Nos conhecíamos fazia cinco dias, e eu não esperava muita coisa, até por causa do meu histórico — eu era separada, tenho dois filhos. Eu me considerava uma roubada (risos).

Com ela já no Brasil, os dois passaram a trocar e-mails e conversar via Skype diariamente, até que ela, preocupada por estar se envolvendo, o questionou sobre a relação.

— Ele me disse: “Ué, estamos namorando”.

Depois de muitas idas e vindas — ele, para o Brasil, e ela, para a Espanha —, Renata conta que o casal “entrou em pânico” sobre a impossibilidade de estar junto por mais de 15 dias — que era o quanto duravam as visitas deles.

— Eu tinha muita saudade. Você pode até ter suas coisas, mas não poder estar com ele nos melhores momentos acabava comigo. Cinema, show, festa de família, seu aniversário, você nunca tem a pessoa. Eu estava bem, mas tinha a sensação permanente de que faltava alguma coisa.

Para Pedro, a parte mais difícil foi a diferença cultural.

— Era difícil conseguir misturar a cultura brasileira e a espanhola. Compreender o jeito de ela pensar, e explicar o meu jeito de pensar. Não estávamos separados apenas por 10 mil km, mas também pelas formas diferentes de vermos a coisas. Coisas que para ela eram muito importantes, para mim não eram, e vice-versa.

O jeito era encurtar a distância. Pedro conseguiu um emprego em uma empresa com um braço na América Latina e, depois de um tempo, recebeu o convite para ser transferido ao Brasil.

— A verdade é que encontrei uma mulher mais aberta que qualquer outra que eu tinha conhecido. A capacidade que ela tem de se mostrar como é de verdade, o fato de ela parecer uma menina que se apaixonou pela primeira vez, o jeito de me tratar como se fôssemos duas crianças de 15 anos, tudo isso me fez querer ficar com ela.

Renata arrumou a casa toda e já até comprou um guarda-roupa novo para esperar o namorado.

“A maior prova de amor que ele pode me dar foi largar tudo o que ama, seu país, sua família. O mérito é muito mais dele do que meu”, emociona-se Renata.

— De repente esse cara me amou de uma maneira que eu não esperava mais ser amada por ninguém, e se dispôs a fazer tudo isso por mim, me amar, amar meus filhos.

Ela aproveita para mandar um recado a Pedro.

— Não tenho como te agradecer por tudo isso, principalmente por sua coragem.

Ele, por sua vez, avisa: “Quero curtir a nossa relação e desfrutar todos os dias da minha família, sem pensar que, em um domingo à noite, terei que voltar para a Espanha”.

Depois de tanto acreditar, Pedro chega definitivamente ao Brasil na sexta-feira (14).

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