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Afeganistão, um país cada vez mais difícil para os voluntários

Internacional|Do R7

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Cabul, 11 dez (EFE).- Em plena fase final da retirada da Otan, os voluntários não são alheios à deterioração da segurança no Afeganistão, onde recentemente nove trabalhadores humanitários morreram em uma semana e a tendência é que esse número aumente cada vez mais. Embora atualmente existam mais projetos acabando do que começando, o Afeganistão continua sendo um dos países com a maior densidade de voluntários do planeta, com quase três para cada mil habitantes: cerca de 90 mil para uma população de, aproximadamente, 31 milhões de habitantes. Mas o trabalho humanitário não os exime de ser atacados pelas ações da insurgência e, de fato, o coletivo está sendo, na atualidade, alvo de ataques com mais frequência do que antes. Segundo o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA), o número de voluntários mortos em ataques triplicou se comparado a 2012, o que coloca o Afeganistão como um dos "países mais perigosos" para o desenvolvimento do voluntariado. "Estes trágicos incidentes ilustram os crescentes riscos e a falta de respeito que rodeiam os voluntários", disse um relatório recente do organismo. O porta-voz do OCHA, James St John Cox, afirmou à Agência Efe que estes fatos geram preocupação nas ONGs. No final de novembro, os insurgentes assassinaram, em dois dias, três trabalhadores de uma organização afegã na região sulina de Uruzgan. No dia 27, outros seis voluntários locais também foram mortos na província nortista de Faryab. De acordo com Cox, o ano de 2013 registrou 237 incidentes contra voluntários, e a maioria cometido por insurgentes, nos quais morreram 36 pessoas, 46 ficaram feridas, 24, detidas e 72 sequestradas. A fonte se recusou a oferecer detalhes sobre as organizações e detalhar quantas dessas vítimas são estrangeiras. Os números são notavelmente piores que os contabilizados pelo OCHA em 2012, quando houve 175 incidentes que causaram a morte de 11 trabalhadores humanitários e deixou feridos outros 26, e nos quais se produziram 31 sequestros e 13 detenções de voluntários. Além disso, de uma forma geral, os sequestros não costumam ser revolvidos da melhor maneira. "Houve dez casos de sequestro de voluntários neste ano e só em um deles um trabalhador estrangeiro foi libertado", disse à Agência Efe o chefe do departamento de ONG do Ministério da Economia, Hashem Basirat. A fonte afirmou também que pelo menos 29 dos voluntários mortos em 2013 são afegãos e ressaltou que nem todos eles morreram em ações terroristas, mas alguns também caíram em tarefas de retirada de minas. Segundo Basirat, não só os insurgentes atacam as ONGs. Estas organizações são alvo recorrente de grupos de criminosos, que roubam veículos e equipamentos dos voluntários. Os agressores têm um grande leque para escolher, pois o Afeganistão tem uma grande quantidade de voluntários, apesar de atualmente não ser tanto quanto no começo da ocupação militar estrangeira após a queda do regime talibã em 2001. Hoje em dia, 2.040 ONGs estão registradas no país, dessas 280 são internacionais. Para as organizações locais trabalham mais de 48 mil afegãos e 203 estrangeiros, enquanto para as estrangeiras estão empregadas 42 mil pessoas, incluídas 3.134 estrangeiras. Zabihullah Mujahid, um porta-voz talibã, afirmou à Efe que seu movimento "nunca atacou voluntários que realmente trabalham em benefício do país", mas só "aquelas ONGs que estão aliadas com os invasores estrangeiros", um crivo de critério ambíguo que no final deixa de fora grande parte da comunidade humanitária. O temor é inevitável quando o processo de retirada das forças estrangeiras deixa um cenário de dúvida para depois de 2014, ano em que termina a retirada. Cerca de 350 mil soldados e policiais afegãos são responsáveis por 80% da segurança do território nacional, mas sua liderança é fraca segundo muitos analistas, que duvidam de sua capacidade real para fazer frente à insurgência. De fato, aumentaram as mortes de membros das forças de segurança afegãs e de civis, e, de acordo com os últimos dados, também de voluntários. EFE fpw-igb/cdr-rsd

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