Análise: vitória dos EUA na guerra ‘terá que ser com uma invasão total do Irã’
Marcelo Suano analisa discordâncias nas negociações sobre o programa nuclear e adota tom pessimista sobre fim do conflito
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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Discordâncias em torno do programa nuclear iraniano podem fazer com que uma possível nova rodada de negociações nesta semana também não alcance grandes resultados. A maior discordância entre os representantes dos Estados Unidos e do Irã gira em torno do período de suspensão do programa.
O jornal The New York Times reportou que a proposta americana era um intervalo de 20 anos. O Irã tentou abaixar a oferta para cinco, mas Donald Trump não encontrou vantagens e decidiu derrubar o acordo. O modelo de negociação foi criticado pelo consultor de risco político e relações internacionais Marcelo Suano, que o relacionou a um modelo de comércio entre empresas em vez de uma discussão diplomática.

“Não adianta barganhar excessivamente. Você tem que levar em consideração os pontos de convergência, mais do que aqueles pontos que são divergentes”. Suano enxerga que, mais do que o intervalo a ser combinado, a parte mais polêmica do acordo é o monitoramento do programa pelos membros da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) para garantir que não seja voltado ao poder militar.
O temor do governo é motivado pela possibilidade de os fiscais realizarem serviços de inteligência para os inimigos do país. “O Irã ganha com qualquer prazo que seja. Por quê? Porque o problema vai ser qual é o acesso que vai ser dado à fiscalização”, raciocinou no Conexão Record News desta terça-feira (14).
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‘Invasão total’
Enquanto isso, o especialista identifica a pressão em torno dos EUA para terminar a guerra e afirma que, ao prolongá-la, Trump estaria “brincando com a sorte”: “Isso pode produzir um isolamento dos Estados Unidos por causa do Trump. E aí, internamente, o Trump vai sofrer as consequências”.
Ainda assim, o consultor vê que a situação na qual os EUA estão inseridos dificulta as chances de aceitar as altas indenizações exigidas pelo Irã. “Isso é uma admissão de erro, de derrota. Jamais os norte-americanos vão aceitar isso. Em síntese, eles querem que os EUA peçam desculpas e deem tempo e dinheiro para a reorganização. Com todo o respeito, mas isso é praticamente dizer: vocês cometeram uma bobagem”.
Por conta de todas as dificuldades enfrentadas no cenário atual, Suano faz uma conclusão pessimista sobre o meio necessário para chegar ao fim do conflito enquanto as tropas iranianas continuarem a apresentar resistência: “Para minha tristeza, terá que ser com uma invasão total do Irã. [...] Mesmo correndo o risco de ser submetido a tribunais penais internacionais ou a críticas das Nações Unidas por suposto crime de guerra”.
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