Anistia Internacional condena ação de justiceiros no Rio de Janeiro
Internacional|Do R7
Rio de Janeiro, 6 fev (EFE).- A Anistia Internacional condenou veementemente nesta quinta-feira os casos de tortura e homicídio praticados por grupos de "justiceiros" nas últimas semanas no Rio de Janeiro, e que geraram um intenso debate em todo o país. O diretor-executivo da Anistia Internacional para o Brasil, Atila Roque, afirmou nesta quinta-feira que o país tem que escolher "entre o Estado de direito ou a barbárie" ao referir-se ao apoio de algumas pessoas aos crimes cometidos por "justiceiros" contra supostos criminosos. A polêmica se intensificou hoje com a publicação feita pelo jornal "Extra" de um vídeo que mostra o momento em que um homem é executado com três tiros à luz do dia e à queima-roupa na Estrada Plínio Casado, uma via movimentada de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. O caso aconteceu em 23 de janeiro, e o homem que aparece no vídeo seria acusado de roubos a comerciantes e pedestres na região. O surgimento de supostos grupos de "justiceiros" no Rio de Janeiro já tinha gerado grande repercussão nas redes sociais após a divulgação da foto de um suposto criminoso que foi amarrado nu em um poste, com uma tranca de bicicleta no pescoço. Nesse caso, trata-se de um adolescente de 16 anos com, pelo menos, três passagens pela polícia por roubo e agressão, e que disse ter apanhado de 15 pessoas que o acusavam de roubar bicicletas no Parque de Flamengo. "Embora, para alguns grupos, exista a ilusão de que o problema está sendo resolvido, a chamada 'justiça com as próprias mãos' nada mais faz do que expandir o ciclo de violência, brutalização e banalização da vida, com a penalização de pessoas pobres, notadamente jovens e negros", afirmou Roque. Ele lamentou que o Estado não dê uma resposta adequada à violência no Rio de Janeiro e que adote um sistema de segurança baseado na repressão, na penalização e na geração de mais violência. "As imagens violentas com as quais nos deparamos nos últimos dias são uma advertência poderosa de quanto ainda pode se afundar uma sociedade quando as instituições públicas não conseguem responder ao estado de emergência social que vivemos", acrescentou. O presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, deputado Marcelo Freixo, disse que a ação dos justiceiros constitui uma ameaça para a sociedade e para a democracia brasileira. "O Estado e a lei existem justamente para não permitir a barbárie. É claro que as pessoas sentem raiva quando são vítimas de um crime, mas isso não dá o direito de agir com as próprias mãos, acima da lei", afirmou. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, também condenou as ações do "poder paralelo", e prometeu investigar e prender responsáveis pelos crimes. "Nosso governo reagirá a justiceiros, perseguindo e prendendo esses assassinos. Isso é inadmissível", afirmou o governador. EFE cm/cdr











