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Após escândalo de espionagem, europeus exigem "código de conduta" dos EUA

Reportagem do britânico The Guardian mostrou ontem que 35 líderes foram monitorados

Internacional|Do R7

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O escândalo de espionagem americana continuou a fazer eco nesta sexta-feira (25) na Europa, pressionando seus líderes, em sua maioria indignados, a exigir de Washington "um código de boa conduta".

Após a França e a Alemanha, foi a vez de a Espanha convocar o embaixador americano em Madri para explicações.


Esta decisão do primeiro-ministro Mariano Rajoy é uma resposta às novas revelações da imprensa, segundo as quais a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) teria espionado membros do governo espanhol, incluindo seu predecessor José Luis Zapatero.

Ao todo, 35 líderes mundiais, incluindo a chanceler alemã Angela Merkel e a presidente brasileira Dilma Roussef, teriam sido grampeados, indicou na quinta-feira (24) o jornal britânico The Guardian.


Além disso, a França suspeita que os serviços secretos americanos estão por trás de um ataque cibernético à presidência sofrido em maio de 2012, segundo o jornal Le Monde.

As revelações, que surgiram a partir de junho, "criaram uma tensão considerável em nossas relações com alguns dos nossos mais próximos parceiros estrangeiros", admitiu Lisa Monaco, conselheira de Barack Obama para a segurança interna.


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Mas, apesar dos protestos, os líderes europeus rejeitam sanções contra os Estados Unidos.

"Não se trata de aumentar a pressão desnecessariamente em relação aos Estados Unidos", declarou o primeiro-ministro belga Elio Di Rupo, resumindo o estado de espírito dos chefes de Estado e de governo da União Europeia.

Os 28 líderes tentam apresentar uma unidade de fachada para exigir explicações de Washington.

A ofensiva é liderada pela França e pela Alemanha, que irão "discutir bilateralmente com os Estados Unidos, a fim de encontrar até o final do ano um acordo sobre suas relações mútuas nesta questão", segundo o comunicado da cúpula.

"Tentaremos implementar um código de boa conduta com os Estados Unidos, sobre o que é aceitável e o que não é", indicou o primeiro-ministro do Luxemburgo, Jean-Claude Juncker.

Em um texto comum, os europeus reconhecem que a "coleta de informações constitui um elemento não essencial da luta contra o terrorismo", a justificativa usada por Washington. Mas "a falta de confiança poderia causar prejuízos à cooperação" neste domínio, advertiu.

"Todo mundo pode entender a adoção de medidas excepcionais quando há ameaças terroristas importantes (...), mas não estamos em uma situação em que é preciso espionar uns aos outros", declarou nesta sexta Di Rupo.

O presidente francês, François Hollande, disse por sua vez que "não podemos controlar os celulares das pessoas que encontramos em cúpulas internacionais".

O chefe de governo finlandês, Jyrki Katainen, resumiu o dilema dos europeus: "Devemos preservar a relação transatlântica e afirmar que isso [a espionagem] não é aceitável".

Para além dos protestos, os europeus rejeitam sanções, em particular uma eventual suspensão das negociações de livre comércio lançadas recentemente entre os dois blocos.

Vários países, como a Grã-Bretanha e a Espanha, também decidiram não ofender Washington aderindo a iniciativa franco-alemã. A Espanha continua a ser um "parceiro e aliado" dos Estados Unidos, afirmou Rajoy.

Por sua vez, o primeiro-ministro britânico David Cameron preferiu não comentar o escândalo, insistindo no fato de que as questões de inteligência cabem às nações e "não à UE".

A dificuldade de chegar a um consenso se expressa nas divergências sobre o projeto de lei apresentado pela Comissão Europeia há meses para reforçar a proteção dos dados pessoais contra os gigantes da internet e dos serviços de inteligência.

Enquanto a comissária europeia da Justiça, Viviane Reding, cobra "medidas" e a adoção da reforma "até a primavera de 2014", os 28 líderes da UE decidiram "por uma margem de manobra" até 2015.

"Nós devemos avançar mais rápido, mas a tarefa é complexa. Não envolve somente a vida privada, mas também o mundo dos negócios", afirmou Van Rompuy.

O líder dos socialistas no Parlamento Europeu, o alemão Hannes Swoboda, criticou a atitude dos líderes da UE.

— [Os líderes europeus] parecem unicamente preocupados com as escutas inaceitáveis de seus celulares, deixando de lado a proteção dos dados dos 500 milhões de cidadãos europeus.

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