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Após escândalo, Rajoy nega envolvimento em caso de corrupção

Internacional|Do R7

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Virgínia Hebrero. Madri, 2 fev (EFE).- No meio da mais grave acusação de corrupção que envolve o Partido Popular da Espanha, o presidente do Governo, Mariano Rajoy, negou taxativamente neste sábado ter recebido pagamentos ocultos e afirmou que considera as acusações como uma tentativa de desacreditar o Executivo. Em sua primeira explicação pública desde que aumentou nesta semana o escândalo acerca dos supostos salários extras pagos durante anos à cúpula da legenda por seu ex-tesoureiro Luis Bárcenas, Rajoy qualificou como "mentiras" estas informações e afirmou que não pensa renunciar. "Nunca recebi nem dividi dinheiro oculto nem neste partido nem em nenhum lugar", disse Rajoy, em discurso aberto aos dirigentes do Partido Popular reunidos hoje de forma extraordinária para abordar a comoção criada em torno deste caso. Com o título "Os papéis secretos de Bárcenas", o jornal "El País" publicou na quinta-feira passada uma suposta contabilidade manuscrita de Bárcenas e o também ex-tesoureiro do PP Álvaro Lapuerta, mostrando receitas (doações de empresários, a maioria do setor da construção) e despesas com remessas de dinheiro a líderes do partido. Entre os receptores desse dinheiro, segundo essa contabilidade manuscrita, estão desde 1997 Rajoy, assim como a atual secretária-geral do PP, María Dolores de Cospedal, seus antecessores no cargo Francisco Álvarez Cascos, Javier Arenas e Ángel Acebes, e os então vice-secretários Rodrigo de Rato e Jaime Mayor Oreja. O chefe do Governo anunciou que na próxima semana tornará públicas suas declarações de imposto de renda, e declarou que "se equivoca" quem pensa que por meio de "assédio" ele vai abandonar sua tarefa à frente do Executivo. Após reconhecer que as informações publicadas criaram um "escândalo de grandes dimensões", Rajoy perguntou de onde tinham saído e quem tinha posto em circulação o que qualificou como "mentiras". Rajoy acusou os possíveis culpados da divulgação desses documentos de tentar criar na Espanha "uma situação de instabilidade em um momento complicado". "Foi gerado um escândalo que afeta membros muito significativos do partido. Não sei quais são as intenções, também não sei quem manipula os dados", ressaltou. O presidente do Governo atacou o líder da oposição, o socialista Alfredo Pérez Rubalcaba, por ter dado crédito a essas acusações sem calcular os danos à Espanha. Na mesma reunião do Comitê Executivo Nacional do PP foi apresentado hoje um relatório provisório sobre a investigação interna efetuada pelo PP sobre sua contabilidade, atendendo a um pedido de Rajoy após o escândalo. De acordo com esta conclusão provisória, a situação financeira do partido está "saneada" e as retribuições de seus dirigentes foram objeto de retenção fiscal e devidamente "consignadas nas contas". Por outra parte, e da mesma forma que já fizeram outros dirigentes do PP, Rajoy voltou a desvincular seu partido das contas com até 22 milhões de euros que Bárcenas teve na Suíça até sua acusação, em 2009, no caso "Gürtel". Foram as autoridades suíças que enviaram ao juiz da Audiência Nacional espanhola Pablo Ruz, relator desta causa, documentação sobre essas contas. Luis Bárcenas apresentou sua renúncia definitiva como tesoureiro do PP em abril de 2010. O chamado "caso Gürtel" sobre corrupção, tráfico de influência e lavagem de dinheiro ligado supostamente a dirigentes do PP foi à tona há quatro anos após uma operação coordenada pelo então juiz Baltasar Garzón. Em fevereiro do ano passado, Garzón foi inabilitado como juiz após após ter sido condenado por ordenar intervir nas comunicações na prisão entre vários dos acusados neste caso de corrupção e seus advogados. Após as explicações de Rajoy, o secretário-geral do PSOE, Alfredo Pérez Rubalcaba, afirmou que o chefe do Governo "ligou sua sorte" à do ex-tesoureiro Luis Bárcenas. Segundo ele, a situação "é ainda mais crítica" do que há 48 horas, e o chefe do Executivo levou o país a uma situação "impossível" e "ingovernável". EFE nac-vh/id (foto) (vídeo)

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