Argélia: Irmão de Bouteflika e 2 generais aliados são detidos
Operação ocorreu após uma denúncia do chefe do Exército, que forçou a renúncia do ex-presidente em abril. Os três estão sendo investigados
Internacional|Da EFE

Said Bouteflika, irmão do ex-presidente da Argélia Abdelaziz Bouteflika, que renunciou ao cargo em abril, e os poderosos generais próximos à família Mohamed Mediène (também conhecido como Toufik) e Athmane Tartag foram detidos neste sábado (4) pelas forças de segurança.
Segundo o portal Tout sur l'Algérie (TSA) e a emissora de televisão Ennahar, os três teriam sido conduzidos à sede dos serviços de inteligência DGSI.
A operação ocorreu após uma denúncia do chefe do Exército, general Ahmed Gaid Salah, o homem que forçou a renúncia do ex-presidente, que estava com a saúde debilitada desde um derrame sofrido há seis anos.
A imprensa local afirma que os três estão sendo interrogados sobre as suas atividades. A investigação faz parte da operação "mãos limpas", ordenada por Gaid Salah para combater a corrupção no país.
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Além disso, os detidos estariam sendo investigados pelo que fizeram durante os mais de dois meses de protestos populares que acontecem na Argélia e a queda de braço pelo poder entre os grupos que cresceram em torno de Bouteflika durante os 20 anos que governou.
Um desses grupos é liderado pelo próprio Gaid Salah, designado por Bouteflika como chefe do Exército em 2004 e que, após a renúncia do presidente em 2 de abril, se tornou o homem mais influente da Argélia.
Ao outro pertenceriam tanto Tartag como Toufik. Esse grupo se concentra em torno da figura de Said Bouteflika, que, segundo "Ennahar", também teria sido detido por ordem do general.
Toufik, chefe dos serviços secretos argelinos durante mais de 25 anos, foi deposto por surpresa em setembro de 2015, quando muitos o consideravam o sucessor de Bouteflika, que já estava muito doente.
"O general Gaid Salah tinha acusado Toufik de conspirar contra o Exército e contra o movimento popular antes de lhe dar um último aviso para que cessasse as suas atividades", lembrou o portal neste sábado.
Já o general Tartag é considerado um homem próximo ao clã presidencial e, em particular, a Said Bouteflika. Ele renunciou ao posto de diretor dos serviços de segurança (DSS) em 2 de abril, o mesmo dia em que Bouteflika renunciou, afirmou "TSA".
Os protestos populares contra o regime de Bouteflika começaram em 22 de fevereiro e se repetem desde então a cada sexta-feira, apesar das quedas do presidente e do primeiro-ministro, Ahmed Ouyahia.
Os manifestantes exigem agora a saída de todo o regime, incluindo o próprio Gaid Salah, o qual acusam de manobrar e lançar uma campanha contra a corrupção para tentar se afastar do governo ao que pertenceu.
Antes das manifestações mais numerosas, o general foi um dos defenderam que Bouteflika se candidatasse a um quinto mandato, apesar da oposição nas ruas e do frágil estado de saúde do então governante.












