Argentina inicia campanha para lembrar vítimas do tráfico humano
Internacional|Do R7
Alida Juliani Sánchez. Buenos Aires, 1 mai (EFE).- Os rostos de 11 jovens argentinas desaparecidas lembram desde a última quinta-feira, em Buenos Aires, as milhares de vítimas do tráfico humano em todo o país, na mostra "Todas as mulheres presentes", que irá até o fim de maio. "Não esquecer, não abaixar os braços, nem dar um passo atrás". Esse é o lema da exposição realizada na antiga Escola de Mecânica da Marinha (Esma), uma das maiores prisões clandestinas do país durante a última ditadura militar (1976-1983), mas hoje um espaço dedicado à memória e aos direitos humanos. Os 11 rostos pertencem a 11 casos que comoveram a sociedade argentina e servirão para demonstrar "que segue havendo desaparecidos na democracia", explicou à Agência Efe Carlos Pisoni, diretor da organização Espaço, Memória e Direitos Humanos. "O tráfico humano é cometido com a mesma metodologia com a qual aconteciam as torturas e violações neste local em que estamos. Naqueles casos, descobrimos que os desaparecidos haviam morrido. Neste, temos a esperança de que essas mulheres aina estejam vivas", assinalou. Os organizadores da mostra fizeram a inauguração coincidir com o 11º aniversário do sequestro de María de Los Angeles Verón, cuja história, e a luta de sua mãe para esclarecer a verdade, levou à aprovação, em 2008, das atuais leis nacionais contra o tráfico humano. "Marita" Verón é um dos 11 rostos da exposição, que também lembra os casos de Dora Diel, Andrea López, Florencia Pennacchi, Fernanda Aguirre, Ramona "Pely" Mercado, Marcela Mamaní, Agostina Sorich, Soledad Olivera, Natalia Ciccioli e Johana Chacón. "Pely desapareceu há oito anos e desde então não tivemos novidades sobre o caso. Está sendo uma luta muito grande, tivemos de remar em muitas questões e não há nenhum avanço na causa", lamentou Juan Yacante, tio da jovem, durante a inauguração da mostra. Yacante assegurou que se sente "frustrado com a Justiça", especialmente com a da província de La Rioja - onde sua sobrinha vivia e desapareceu -, que investigou a causa durante cinco anos e meio antes de passá-la para um tribunal federal. "Como se pode permitir que o juiz encarregado da instrução tenha sido o advogado e defensor de todos os bens da principal acusada do sequestro de Marita Verón?", questionou. Yacante comemora a realização "esse tipo de encontros, porque serve para divulgar casos como a da minha sobrinha". "Peço a vocês que nos acompanhem em nossa luta. Sempre há gente que nos encoraja muito para que não abaixemos os braços", indicou. Nesse sentido também se expressou Mirta Acosta, mãe de Natalia Ciccioli, desaparecida em 1994, em San Martín de los Andes, quando tinha 12 anos. "Não se investiga, não se trabalha, não sei se por negligência ou porque não se quer. Por isso, esse tipo de encontros nos ajuda, nos empurra, nos dá força para seguir lutando. Ajudemo-nos. É muito triste perder um parente e não saber onde ele está", reivindicou Mirta. Em sua luta contra o tráfico humano, o Governo argentino criou em 2007 o Programa Nacional de Resgate e Acompanhamento da Pessoa Afetada pelo Delito de Tráfico Humano. Desde o início de suas atividades, 4.601 vítimas já foram recuperadas, segundo explicou à Efe Romina Diurno, coordenadora da área de capacitação do programa. "Recebemos muitas ligações na nossa linha de denúncia, e muitas são de jovens que querem alertar sobre a existência de um prostíbulo. Isso demonstra uma mudança de atitude muito importante na sociedade. As pessoas jovens os denunciam, em vez de comparecer a eles", assinalou. A organização de "Todas as mulheres presentes" também contou com a participação de Leonardo Fossati, neto recuperado e membro da Associação Avós da Praça de Maio, que deu seu apoio aos familiares das desaparecidas e lembrou a importância de divulgar seus casos. "Há muitos criminosos soltos que têm que dizer o que aconteceu e cumprir suas penas", disse. EFE ajs/pa (foto) (vídeo)












