Ataques ao Oriente Médio alimentaram terrorismo na região, segundo professor
Em meio às negociações entre Líbano e Israel, entrevistado analisa o cenário da guerra e crises mundiais
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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Com o cessar-fogo em ação, Líbano e Israel se reúnem nesta quinta-feira (23) em Washington, Estados Unidos, para uma nova rodada de negociações. Ao mesmo tempo em que Israel tenta anexar territórios no sul do Líbano, o grupo terrorista Hezbollah contra-ataca. De qualquer forma, ambas as nações infringem a trégua e dificultam as possibilidades de um acordo.
“Benjamin Netanyahu tem criado uma imagem muito negativa sobre o próprio país e isso se reflete numa queda de apoio ao Estado de Israel nos fóruns internacionais [...] Já os libaneses gostariam que o poder político do Hezbollah se transformasse em outro tipo de atuação mais pacífica”, enxergou o professor da Universidade de Relações Exteriores da China, Marcus Vinicius, no Conexão Record News desta quinta.

Enquanto as negociações entre os dois países encontram dificuldades, as possibilidades de um acordo de paz ser fechado entre EUA e Irã seguem baixas, mesmo após a extensão do prazo declarada por Donald Trump. Vinicius analisa que o líder foi inteligente ao deixar de impor datas nas próprias promessas para evitar o aumento da pressão interna, que critica o progresso da guerra e a saída do acordo criado por Barack Obama em 2015.
“O que nós notamos é que o presidente atua na tentativa de pressionar e relaxar, mas mantém a pressão constante no sentido de criar agora uma perda econômica para o Irã”. Ainda assim, o especialista entende que a falta de uma postura mais rígida, unida à resiliência iraniana, sinaliza que Trump não consegue sustentar para sempre a estratégia.
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Vinicius afirma que as tentativas de decapitar as lideranças locais falharam e que os constantes ataques só geram lembranças na população, que desenvolve uma necessidade por vingança e transforma a região em uma “fábrica de novos terroristas”, nas palavras do professor, citando Gaza.
“Hoje, quando nós olhamos para Gaza, em que muitas crianças perderam os pais, perderam os parentes, obviamente que isso é um incentivo, infelizmente, a transformar Gaza numa fábrica de novos terroristas por causa desta situação histórica. Porque são recordações e lembranças históricas que vão se acumulando aí ao longo dos anos e vai gerando esta necessidade constante de revide e de vingança. Então, este é um problema que se enfrenta e, infelizmente, é uma realidade quando nós olhamos para esta situação toda”, analisa.
Sobre o Irã, ele ainda afirma que as possibilidades de derrubar o regime dificilmente terão sucesso, devido ao histórico dos EUA.
“Quando você quebra a ordem, você precisa estar disposto a reconstruí-la; e o grande problema dos americanos é que eles muitas vezes fazem as interferências, mas não estão dispostos a manter tropas presentes”. Os ataques, na análise do especialista, aumentaram o poder do Irã, que agora descobriu uma nova e valiosa arma: “O estreito de Ormuz, para eles, tem uma função muito mais relevante do que uma bomba atômica”.

Ao ser questionado, o professor afirma que uma crise do petróleo tão devastadora quanto a enfrentada na década de 1970 não deverá se repetir, devido a mecanismos de proteção; porém, uma série de eventos inoportunos da era moderna, como a pandemia, a guerra da Ucrânia, de Gaza e agora no Irã, afetaram gravemente a economia mundial: “Esta é a grande realidade desta guerra, existe aí um empobrecimento internacional”.
Enquanto o planeta enfrenta uma crise, a China se prepara há anos para tal cenário. “Faz 75 anos que a China faz um planejamento de 5 em 5 anos sobre aquilo que pretende alcançar. Quando foi a última vez que nós ouvimos, por parte dos republicanos ou democratas, dos europeus, ou até mesmo dos partidos brasileiros, um plano de 5 anos?”, conclui Vinicius.
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