Aumenta a temperatura eleitoral no Chile a seis dias da eleição presidencial
Internacional|Do R7
Santiago do Chile, 11 nov (EFE).- A temperatura da campanha eleitoral chilena aumentou ao entrar nesta segunda-feira na reta final antes das eleições do próximo domingo, com fortes críticas da direita governante contra a ex-presidente, de centro-esquerda, Michelle Bachelet, que está bem à frente nas pesquisas. Seu principal oponente, a governista e ex-ministra do Trabalho Evelyn Matthei, questionou o alto custo eleitoral da campanha de Bachelet, assegurando que está na fronteira do limite legal e que recebeu financiamento de empresários. Osvaldo Andrade, presidente do Partido Socialista, de Bachelet, refutou nesta segunda-feira as críticas de Matthei e afirmou que são parte do "desespero de uma candidatura que não pegou". O dirigente argumentou que os fundos que sustentam a campanha de Bachelet vem de créditos financeiros solicitados pela própria candidata e por seu partido. Bachelet está à frente nas pesquisas com uma ampla vantagem sobre Matthei e os outros sete candidatos que postulam à Presidência. As últimas pesquisas sugeriram inclusive que a ex-presidente, que governou Chile entre 2006 e 2010, pode ganhar no primeiro turno e obter maioria parlamentar. Sobre essa base, o governo endureceu o discurso e disse que as propostas de Bachelet de reformar a Constituição aprovada sob a ditadura de Augusto Pinochet, garantir educação gratuita universal e elevar os impostos para as empresas jogarão por terra os avanços econômicos alcançados pelo país nas últimas décadas. "Se Bachelet vencer, pode ser imposto um giro à esquerda brusco demais para um país moderado como o Chile", criticou o chefe da campanha de Matthei, Joaquín Lavín. Os partidários de Bachelet qualificaram as acusações da direita como uma simples "campanha do terror", que não tem embasamento na realidade. Mas além das alfinetadas dos dois lados, os candidatos , que fecharão suas campanhas durante a semana, chamaram à população a votar no domingo para evitar uma alta abstenção, como a registrada nas municipais de outubro de 2012, quando começou a valer no Chile o voto facultativo. Particularmente a direita, que teme pouca participação de seus simpatizantes pelo mal posicionamento de Matthei nas pesquisas e os constantes atritos que os dois partidos do pacto governista tiveram, redobrou seus esforços por atrair eleitores. O vice-presidente de Renovação Nacional (RN), um dos partidos da aliança de direita, Mario Desbordes, fez inclusive um chamado à "família militar" para que "entregue seus votos à candidata Evelyn Matthei", filha de um general reformado que integrou a junta militar nos tempos de Pinochet. Os analistas concordam que se os resultados para o governo forem muito magros, tanto na eleição presidencial como nas parlamentares a direita poderia afundar ainda mais na crise que se encontra imersa e que se refletiu na sucessiva mudança de candidatos presidenciais, até Matthei ser proclamada em agosto. O próprio presidente da RN, Carlos Larraín, declarou hoje que "foi um erro" da União Democrata Independente (UDI), o partido de Matthei, recusar o primeiro nome cogitado pelo partido, o ex-ministro de Obras Públicas Laurence Golborne, após uma decisão judicial que o vinculou com cobranças abusivas a uma empresa no varejo da qual antes foi gerente. Em seguida foi apontado Pablo Longueira, ex-ministro de Economia, que em 30 de junho venceu as primárias sobre o candidato da RN, o ex-ministro de Defesa Andrés Allamand, mas dias depois abandonou a candidatura por causa de uma depressão. No meio de uma forte tensão entre ambos partidos, a UDI proclamou a Matthei e a RN a apoiou, deixando de lado suas próprias aspirações. O governo fez sérias tentativas para reforçar a opção por Matthei, aproveitando que a popularidade do presidente chileno, Sebastián Piñera, lentamente se recuperou, até se situar em torno de 40%, de acordo com as pesquisas mais recentes. Enquanto isso, as autoridades também devem se preocupar em resolver outros problemas que podem afetar a eleição de domingo, principalmente uma greve que há três semanas mantêm os funcionários municipais, já que os centros de votação ficam majoritariamente em escolas que dependem diretamente dos municípios. (EFE) pm/cd (fotos)










