Aviação síria ataca aldeia curda e mesquita histórica é destruída
Outro avião do exército lançou bombas em Qaboun, bairro rebelde do noroeste de Damasco
Internacional|Do R7

A Força Aérea síria realizou um ataque sangrento contra uma aldeia curda no nordeste do país, matando pelo menos 16 pessoas, enquanto em Deraa, berço da revolta contra o regime de Bashar al-Assad, soldados e rebeldes se acusam mutuamente pela destruição de parte de uma mesquita histórica.
Em Aleppo, o correspondente da televisão estatal e dois cinegrafistas foram feridos, assim como outras 15 pessoas, na explosão de um carro-bomba. Mais ao norte, o exército sírio quebrou o cerco dos rebeldes a dois campos militares.
Na província de Hassaka, que até então se manteve fora da guerra civil, um ataque da aviação matou 16 pessoas, incluindo três crianças, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
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"Há nesta aldeia uma posição rebelde, mas não foi ela o alvo, e sim casas habitadas por civis", declarou à AFP o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, que se baseia em informações recebidas de ativistas e médicos civis e militares.
As regiões de maioria curda no país, cujos líderes firmaram um compromisso com o regime e os rebeldes, até recentemente tinham sido poupadas. Mas nas últimas semanas, combatentes curdos se juntaram aos rebeldes sírios em Aleppo, o que provocou a reação do regime.
Ao mesmo tempo, outro avião do exército lançou bombas em Qaboun, bairro rebelde do noroeste de Damasco, matando nove crianças, de acordo com o Observatório. Um total de 23 crianças foram mortas neste domingo em todo o país.
Na cidade de Deraa, no sul do país, regime e rebeldes se acusam mutuamente pela destruição de uma torre de pedras quadradas de uma mesquita, que remonta aos primórdios do Islã.
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De acordo com os opositores do Conselho Nacional Sírio (CNS) "o regime agiu de forma bárbara, disparando com tanques de guerra contra o minarete da mesquita de Omari, um importante símbolo de espiritualidade, civilização e humanidade".
Esta mesquita, localizada no centro de Deraa, foi o ponto de partida em meados de março de 2011 de manifestações em massa em resposta à tortura cometida pelos serviços de segurança contra crianças que tinham escrito nas paredes frases em repúdio a Assad.
Mas a agência oficial de notícias SANA, citando uma autoridade anônima de Deraa, acusou a Frente al-Nusra de ter queimado a mesquita, argumentando que "os terroristas tinham fatwas (decretos religiosos) que os autorizavam atingir locais de culto se necessário". Na terminologia do regime, a palavra "terroristas" refere-se aos rebeldes.
Em Aleppo, dividida entre os rebeldes e tropas do regime, o correspondente da televisão oficial Chadi Hilweh e dois cinegrafistas ficaram feridos na explosão de um carro-bomba.
De acordo com o canal, "dois terroristas a bordo de um carro-bomba tentaram atacar um centro de inteligência. OS terroristas morreram e 18 pessoas ficaram feridas, incluindo os jornalistas".
Mais ao norte, o exército quebrou um cerco de seis meses a dois campos na província de Idleb (noroeste). "Pela primeira vez em meses, as forças do regime foram capazes de romper o cerco dos acampamentos militares de Deif Wadi Hamdiya depois que o exército tomou de volta dos rebeldes", indicou o OSDH.
Pelo menos 21 rebeldes foram mortos no ataque contra a aldeia de Babulin, acrescentou o Observatório.
O anúncio da fidelidade da Frente al-Nusra ao chefe da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, continua a ser motivo de divergências entre os opositores.
"Nós nos opomos fortemente a qualquer ação ou declaração que vai contra a vontade do povo sírio e os objetivos da revolução. Tais iniciativas beneficiam apenas o regime de Assad e minam os progressos da revolução", indicou o maior grupo de opositores do regime na Síria.
A violência, de acordo com uma avaliação preliminar, causou a morte de 44 civis e nove rebeldes neste domingo.
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