Bangladesh pede que UE não puna comércio do país após desabamento
Internacional|Do R7
Por Ruma Paul e Serajul Quadir
DACA, 4 Mai (Reuters) - Bangladesh pediu neste sábado que a União Europeia não adote duras restrições econômicas a sua indústria têxtil como punição pelo desabamento de um edifício que matou 550 pessoas e abrigava uma fábrica de vestuário.
Corpos ainda estão sendo retirados das ruínas neste sábado, enquanto famílias desesperadas esperam por notícias das vítimas do pior acidente industrial da história da nação.
A União Europeia, que dá acesso preferencial às roupas vindas de Bangladesh, ameaçou medidas punitivas para pressionar Daca a melhorar os padrões de segurança no trabalho, depois do desabamento da fábrica ilegal no dia 24 de abril.
O desastre, que deve ter começado quando os geradores de energia do prédio foram ligados após um blecaute, colocou pressão nos varejistas dos países ricos que usam a empobrecida nação do sul da Ásia como fonte de produtos baratos.
Cerca de 4 milhões de pessoas trabalham na indústria têxtil em Bangladesh, fazendo do país o segundo maior exportador do mundo, após a China. Alguns trabalhadores ganham 38 dólares ao mês, em condição comparada pelo papa Francisco a "trabalho escravo".
A primeira-ministra, Sheikh Hasina, culpou os donos da fábrica pelo desastre, dizendo que eles ignoraram alertas sobre as rachaduras na paredes do edifício.
Isenção de impostos oferecidas pelos países do Ocidente e os baixos salários ajudaram a transformar o setor do vestuário em Bangladesh em uma indústria de 19 bilhões de dólares por ano, e cerca de 60 por cento de suas roupas vão para a Europa.
"Se a UE ou outros compradores impuserem condições de comércio rígidas sobre Bangladesh, a economia do país será prejudicada, e milhões de trabalhadores perderão seus empregos", afirmou Mahbub Ahmed, autoridade do Ministério do Comércio local.
O governo não recebeu qualquer notificação formal ou ação punitiva por parte da EU ou de qualquer outro país sobre as mortes, disse.











