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Boston tenta retomar normalidade, mas brasileiros relatam tensão na cidade

Pessoas com mochilas são revistadas em todas as estações de metrô, contam brasileiros

Internacional|Do R7*

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Tiago Franklin, que faz doutorado no MIT, disse que recebeu mensagens de alerta da instituição
Tiago Franklin, que faz doutorado no MIT, disse que recebeu mensagens de alerta da instituição

Após as duas explosões que deixaram três mortos e centenas de feridos durante a Maratona de Boston, nos Estados Unidos, na tarde da última segunda-feira (15), o clima é de apreensão e medo para a população da cidade, que aos poucos tenta retomar a normalidade.

As recomendações para o dia seguinte ao atentado foram para que lugares públicos e superlotados fossem evitados, por se tratarem de alvos fáceis em caso de novos ataques, segundo brasileiros entrevistados pelo R7.


Mariana Miranda, de 25 anos, que mora em Brookline, a dez minutos de distância de Boston, contou que algumas ruas do centro permaneciam fechadas e vazias, com poucas pessoas nas proximidades.

— Essa semana a cidade não está muito cheia. Algumas escolas estão em recesso, então muita gente foi viajar. Por outro lado, como segunda foi um feriado estadual, havia muitas famílias com crianças por aqui que vieram só para assistir à maratona.


As aulas na faculdade que frequenta não foram suspensas, mas os alunos foram aconselhados a evitar multidões. Todos demonstraram estar muito chocados com o atentado.

— Hoje tem muita gente ligando nas rádios e dando relatos, gente pedindo doações de sangue. Uma mãe contou que tinha dois filhos próximos da linha de chegada e que cada um deles perdeu uma perna. As pessoas estão tentando seguir em frente, mas ainda estão muito abaladas.


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Anderson Silva, brasileiro de 25 anos que trabalha na Buckingham Browne and Nichols School, em Cambridge — área metropolitana de Boston —, enfrentou uma situação atípica na escola na manhã de hoje: apesar de a instituição ter pedido apoio policial para seguir com o cronograma de aulas, poucos alunos apareceram.

Para quem pretendia sair de casa, uma série de instruções foram dadas, diz ele.

— Tem muita polícia nas ruas. E estão considerando qualquer coisa suspeita, então somos orientados a “não criar qualquer atividade suspeita”. O FBI pediu para que as pessoas que têm fotos e vídeos da maratona enviem tudo para eles, porque pode ser que contenham o registro de algum suspeito.

Silva ainda não consegue imaginar o que causou o atentado e acredita que eles podem ter sido motivados tanto pelas polêmicas da reforma migratória que ocorre nos Estados Unidos, quanto por um terrorista ou um psicótico qualquer.

— Um problema do ser humano é pensar que esse tipo de coisa nunca vai acontecer com a gente. Eu estava a 15 minutos do ataque!

Centros universitários da cidade, como o MIT (Massachusetts Institute of Technology), optaram por prevenir e tranquilizar seus alunos desde a tarde de ontem.

Tiago Franklin, de 27 anos, que saiu de Brasília para fazer doutorado no MIT, recebeu mensagens de texto e e-mails da instituição, bastante próxima ao local dos atentados. Sua primeira atitude foi avisar aos parentes brasileiros que estava bem e permanecer em casa.

— Hoje [segunda-feira] a polícia pediu para que ficássemos em casa e não sair com mochila. O clima está melhor, mas o Exército revista as pessoas com sacolas e mochilas nas estações de metrô.

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Franklin acredita que um dos piores fatores da tragédia é o quanto ela atingiu a população de Boston, em uma das datas mais importantes da cidade. Amigos do rapaz estão organizando uma vigília para os próximos dias, em memória às vítimas.

Em entrevista ao R7, o estudante afirma que o motivo dos ataques é incerto, mas não uma coincidência.

— Era feriado apenas em Boston e o local escolhido é muito simbólico para os moradores da cidade. De certa forma, parece que a intenção foi ferir mais a cidade do que a nação.

Os entrevistados afirmaram ainda temer a resposta que os Estados Unidos poderão dar após descobrir os autores das explosões.

* Ana Carolina Neira, estagiária do R7

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