Brasil condena assassinato de opositor na Venezuela
Governo cobrou que Nicolás Maduro mantenha a ordem durante as eleições legislativas
Internacional|Do R7
O governo brasileiro condenou, em nota, o assassinato de Luis Manuel Díaz, opositor venezuelano dirigente do partido Ação Democrática, e cobrou o governo de Nicolás Maduro para que mantenha a ordem durante o processo de eleições legislativas que acontece na Venezuela na próxima semana.
“Ao condenar com firmeza esse lamentável incidente, o governo brasileiro recorda que é da responsabilidade das autoridades venezuelanas zelar para que o processo eleitoral que culminará com as eleições no dia 6 de dezembro transcorra de forma limpa e pacífica, de modo a permitir que o povo venezuelano exerça com tranquilidade seu dever cívico e tenha plenamente respeitada sua vontade soberana”, diz a nota divulgada nesta sexta-feira (27) pelo Ministério das Relações Exteriores.
Díaz foi morto a tiros na quarta-feira (25), durante um comício no Estado de Guárico, na região central da Venezuela.
União Europeia manifesta preocupação com violência antes das eleições na Venezuela
Um dos líderes da coalizão de oposição Mesa de Unidade Democrática, o opositor discursava, ao lado de Lilian Tintori – mulher de um dos principais líderes da oposição, Leopoldo López, condenado a 14 anos de prisão– quando os tiros partiram de um carro que passou em alta velocidade.
A oposição atribui a morte a grupos armados vinculados ao PSUV, partido de Maduro, o que o presidente negou ontem veemente em um discurso.
A missão da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), que está na Venezuela para acompanhar o processo eleitoral, condenou o uso de violência nas eleições e cobrou a apuração dos fatos.
Na nota, o Itamaraty também cobra, ainda que em linguagem diplomática, a ação de Maduro contra a violência: “O governo brasileiro confia em que o governo venezuelano atuará para coibir quaisquer atos de violência ou intimidação que possam colocar em dúvida a credibilidade do processo eleitoral em curso e a legitimidade dos resultados da votação".
Apesar da linguagem diplomática, o governo brasileiro subiu o tom na condenação à Venezuela pela primeira vez desde o acirramento da crise política deste ano.
A nota foi negociada diretamente no Palácio do Planalto por instrução da presidente Dilma Rousseff. A intenção foi mostrar para a o governo de Nicolás Maduro que o país está passando dos limites aceitáveis pelo Brasil, hoje ainda o fiador da presença da Venezuela no Mercosul, informaram à Reuters duas fontes do governo.
Na semana passada, contou uma fonte do Planalto, o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, foi à Venezuela e levou uma carta assinada pela presidente em que Dilma falava da necessidade de se dar conta da “inflexão à direita” na América do Sul e da necessidade de que os países de esqueda da região se dêem conta que a imagem da esquerda democrática na região está nas mãos deles, além de acrescentar sua “expectativa” de que as eleições sejam isentas e ocorram em tranquilidade. A carta foi enviada antes da morte de Díaz.
O desagrado do governo brasileiro com a situação venezuelana vem crescendo. Recentemente, Maduro atraiu a ira da presidente ao vetar o nome de Nelson Jobim para ser o observador do Brasil na missão eleitoral da Unasul.
Com o veto, o Tribunal Superior Eleitoral se retirou da missão. Na quinta-feira, o governo brasileiro informou que o cônsul-geral do Brasil em Washington, embaixador Antonino Mena Gonçalves, será o representante brasileiro na missão.
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