Camarões soltou presos do Boko Haram em troca da libertação de sequestrados
Internacional|Do R7
Yaoundé, 20 abr (EFE).- Camarões libertou quatro presos do grupo radical islamita nigeriano Boko Haram, em troca da libertação da família francesa sequestrada por este grupo, informou neste sábado à Agência Efe uma fonte da polícia camaronesa. "Camarões libertou os quatro membros da seita islamita Boko Haram detidos no país desde o mês de dezembro de 2012" em troca da entrega dos reféns às autoridades deste país africano, explicou a fonte, que pediu anonimato. O presidente francês, François Hollande, rejeitou hoje dar detalhes sobre as "condições da libertação", apesar de Paris negar ter pago aos sequestrados e que tenha tido uma intervenção militar. O comando da polícia indicou que líderes tradicionais muçulmanos do norte de Camarões - onde Boko Haram sequestrou em 19 de fevereiro sete membros da família Moulin Fournier, libertados ontem - tiveram um papel-chave para conseguir a liberdade dos reféns. "Esses chefes tradicionais e religiosos negociaram durante estes dois meses (com os sequestradores do Boko Haram)", explicou à Agência Efe a fonte, que pediu anonimato. "Foram eles (os líderes tradicionais) que receberam os reféns de mãos de membros do Boko Haram na fronteira, perto da cidade de Colofata, no extremo norte de Camarões", assegurou o alto cargo das forças da ordem cameronesas. Boko Haram tinha exigido a libertação de vários de seus membros detidos em Camarões e na Nigéria durante o cativeiro da família. O Governo da Nigéria -para onde foram transferidos os sete reféns após serem sequestrados- não quis atender o pedido dos radicais. "Por esta razão, o Boko Haram entregou os franceses a Camarões", informou a fonte. Os três adultos e quatro crianças da família francesa Moulin Fournier foram libertados ontem e chegaram hoje em um avião da força aérea desse país a Paris, onde foram recebidos por Hollande. O sequestro aconteceu quando o homem, seu irmão, sua esposa e seus filhos viajavam pelo norte do país, no Parque Natural de Waza, em uma zona que faz fronteira com a Nigéria. "Os sequestrados circulavam de moto quando foram interceptados na saída do Parque Waza e levados à força para a Nigéria", explicou no momento do rapto o titular camaronês de Comunicação. O líder da família trabalhava em Camarões para a empresa francesa GDF no momento do sequestro. Boko Haram, que significa em línguas locais "a educação não islâmica é pecado", luta por impor a "sharia" na Nigéria, de maioria muçulmana no norte e preponderância cristã no sul. Desde 2009, os radicais mantêm uma sangrenta campanha que já deixou cerca de 1.400 mortos, segundo a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW), embora o Exército da Nigéria assegure que as vítimas são mais de 3 mil. EFE fé-mg/ff











