Camponeses colombianos propõem reforma agrária como caminho para paz
Internacional|Do R7
Bogotá, 23 mar (EFE).- Os camponeses colombianos apresentaram neste sábado uma proposta para as negociações de paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em Havana, pedindo uma reforma agrária integral em um país onde jamais houve uma reestruturação da distribuição de terra. Este processo incluiria etapas como a elaboração de um novo cadastro, a criação de um fundo nacional de financiamento de terrenos e o respeito à "autonomia territorial", organizacional e cultural das Zonas de Reserva Camponesa (ZRC). A proposta foi apresentada neste sábado no término do 3º Encontro Nacional de Zonas de Reserva Camponesa em San Vicente del Caguán, no departamento do Caquetá, depois de dois dias de diálogo no qual participaram cerca de 3 mil trabalhadores rurais da Colômbia. Os camponeses pertencem às 54 áreas do país que pretendem se transformar em uma ZRC, um título que, por enquanto, só têm seis regiões do país. O Instituto Colombiano de Desenvolvimento Rural (Incoder) é o encarregado de delimitar e constituir estas zonas, nas quais não há espaço para grandes projetos agroindustriais nem para a exploração mineradora, e onde se procura garantir o respeito ao meio ambiente e à qualidade dos produtos que são cultivados nelas. "As ZRC são uma alternativa para que tenhamos um acesso seguro à terra e um acesso seguro aos territórios que protegemos", acrescentaram os camponeses em uma declaração final. No ato de encerramento, foi projetada uma mensagem dos negociadores das Farc. O líder dos negociadores e segundo chefe da guerrilha, Luciano Marín Arango, conhecido como "Ivan Márquez", foi o encarregado de ler a mensagem acompanhado dos interlocutores Seuxis Paucias Hernández Solarte - conhecido como "Jesús Santrich" - e "Ricardo Téllez", conhecido como de Rodrigo Granda. "Nós, os guerrilheiros das Farc, nos juntamos ao coro que exige a formalização de 9,5 milhões de hectares de terra que compreendem os novos processos de formação das ZRCs", disse "Márquez", antes de exigir a saída da polícia destas regiões. As ZRC estiveram no centro da polêmica nestes dias. A guerrilha e o governo negociavam em Havana o problema da terra e as partes divergiram bastante em suas visões sobre esta modalidade de organização territorial. Integrantes do Executivo de Juan Manuel Santos rejeitaram na Colômbia que a guerrilha queira transformar estas ZRCs em "republiquetas", enquanto os camponeses reunidos em San Vicente del Caguán, argumentaram que a autonomia que existe nestas áreas foi uma consequência do abandono do Estado. "As ZRCs são um instrumento de defesa da dignidade e da segurança e soberania alimentícia, mas hoje são uma ameaça para a voracidade das multinacionais que representam os poderosos, pessoas que não se importam com a miséria de 8 milhões de colombianos", disse Piedad Córdoba, presidente do movimento Marcha Patriótica. EFE agp/rpr











