Candidato a presidente assassinado no Equador criticava tanto Lula quanto Bolsonaro
Fernando Villavicencio fez postagens nas redes sociais contra corrupção nos governos petistas e condução da pandemia no Brasil
Internacional|Do R7

Fernando Villavicencio, candidato à Presidência do Equador assassinado na noite de quarta-feira (9), poderia confundir a cabeça dos brasileiros, ainda mais em tempos de opiniões polarizadas: o político equatoriano teceu críticas tanto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto a Jair Bolsonaro (PL) em suas redes sociais nos últimos anos.
Com longa carreira de jornalista investigativo, Villavicencio foi um feroz crítico do ex-presidente Rafael Correa, aliado dos dois primeiros governos de Lula, entre 2003 e 2010. O candidato assassinado também era defensor da operação Lava Jato e chamava Lula de “ladrão da Lava Jato” em suas postagens mais recentes.
Por outro lado, Villavicencio também condenava atitudes de Bolsonaro em seu mandato, como as medidas tomadas em relação à pandemia de Covid-19, e reclamou da falta de cooperação do governo brasileiro em uma investigação de corrupção no Equador que envolveu a Odebrecht.
Direita ou esquerda?
Villavicencio, que foi sindicalista e tinha o jornalismo investigativo como profissão, se definia como um centrista e pertencia ao movimento de centro Construye, apesar de originalmente ser da esquerda moderada.
Villavicencio, como outros candidatos, defendia uma luta frontal contra as máfias do crime organizado, em meio a uma campanha eleitoral marcada pela pior crise de segurança da história do Equador, que fechou 2022 com uma taxa de 25,32 mortes violentas por 100 mil habitantes, a mais alta desde que começaram os registros.
Também tinha entre as propostas principais para ganhar a eleição a construção de uma cadeia de segurança máxima no meio da selva amazônica. "Meu governo vai ser um governo de mão dura contra a violência, mas vamos olhar principalmente para o desemprego", declarou recentemente à imprensa.
O candidato era um dos oito que vão concorrer à Presidência nas eleições gerais antecipadas, que serão realizadas em 20 de agosto. A imprensa local, especialmente o jornal equatoriano El Universo, o principal do país, declarou que Villavicencio foi morto "ao estilo de sicários e com três tiros na cabeça".













