Chávez é derrotado pelo câncer aos 58 anos
Internacional|Do R7
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, morreu nesta terça-feira, em Caracas, aos 58 anos, ao final de uma longa batalha contra o câncer, deixando como sucessor o vice-presidente Nicolás Maduro e a incerteza em um país que liderou por 14 anos.
"Recebemos a informação mais dura e trágica que poderíamos transmitir ao nosso povo. Às 04H25 da tarde (17H55 de Brasília) de hoje, 5 de março, morreu nosso comandante, o presidente Hugo Chávez Frías", disse Maduro. "Na dor imensa desta tragédia histórica que hoje toca a nossa pátria, nós chamamos todos os compatriotas, homens, mulheres de todas as idades, a ser vigilantes da paz, do respeito, do amor, da tranquilidade desta pátria".
O chanceler Elías Jaua anunciou Maduro como presidente interino, com a missão de convocar eleições "nos próximos 30 dias". "Agora que se produziu a vacância absoluta, assume o vice-presidente da República como presidente e se convoca eleições nos próximos 30 dias. Estas foram as ordens do comandante presidente Hugo Chávez".
Já o deputado governista Fernando Soto Rojas disse que o poder deve ser entregue ao presidente do Congresso.
"Aqui não há vazio de poder, a Assembleia Nacional, com seu presidente Diosdado Cabello, deve assumir o comando do Estado e, posteriormente, iremos ao processo eleitoral", afirmou Soto, destacando que Maduro será o candidato governista.
Maduro reagiu salientando que "nenhum de nós é Chávez, somos todos filhos dele, somos seus seguidores (...) mas podemos juntos chegar ao que ele significou para nossas vidas".
"Somente juntos poderemos garantir o futuro desta pátria", disse o vice-presidente, estimando que o 'chavismo' se sente "órfão" e com um "sentimento de grande vazio que apenas a solidariedade pode preencher".
A Constituição venezuelana estabelece que diante da "falta absoluta" de um presidente eleito antes da posse, se "procederão" eleições no prazo de 30 dias, com o presidente do Parlamento liderando o governo neste período.
Caso a vacância ocorra durante os primeiros quatro anos de mandato, se procede igualmente com eleições, mas a presidência interina é entregue ao vice-presidente.
Chávez, no poder desde 1999, foi reeleito em outubro passado para um novo mandato de seis anos, mas sua posse em janeiro foi adiada pelo Supremo Tribunal até a recuperação do presidente.
A luta contra o câncer impediu Chávez de tomar posse em 10 de janeiro, depois da reeleição para um terceiro mandato de seis anos.
A oposição venezuelana exigiu respeito à Constituição e advertiu que "cabe ao governo a responsabilidade principal de garantir a convivência em liberdade e em paz".
"Esperamos, como todos os venezuelanos, que o governo atue com estrito apego a seu dever constitucional", disse Henrique Capriles, principal líder da oposição. O governo deve respeitar seu "dever constitucional" e as forças armadas devem agir "como lhe corresponde".
Capriles, governador do estado de Miranda, é o principal candidato opositor nas próximas eleições para a presidência.
Logo após o anúncio da morte do presidente, Maduro mobilizou as forças armadas, que prometeram cumprir a Constituição e a vontade do presidente Chávez.
O ministro da Defesa, Diego Molero, informou que as forças armadas estão "unidas para cumprir e fazer cumprir os preceitos constitucionais e a vontade do nosso líder comandante Hugo Rafael Chávez Frías".
Molero também manifestou, em nome das forças armadas, seu apoio a Maduro, ao presidente do Parlamento, Diosdado Cabello, e a todos os demais poderes do Estado.
Maduro, de 50 anos, apontado por Chávez como seu herdeiro político, certamente será o candidato governista nas eleições presidenciais, que ele próprio convocará.
Ex-sindicalista do Metrô de Caracas, Maduro enfrentará o desafio de substituir um presidente carismático e falante, que concentrou e personificou o poder, estabelecendo um vínculo quase espiritual com as classes populares, sua base pessoal.
Nas ruas, a população entoava palavras de ordem como "Todos somos Chávez", "Chávez vive, a luta segue" e "Chávez no Panteão", enquanto pediam o sepultamento do presidente junto aos heróis históricos da Venezuela no Panteão Nacional.
"Chávez partiu, que vazio tão grande nos deixa. Amei esse homem porque o amei, não porque precisei dele", chorava, desconsolada, uma senhora idosa em meio ao tumulto, e exibindo também uma camiseta com o rosto do presidente.
"Estou com o coração destroçado, como se tivesse perdido meu pai ou meu filho", disse Ariani Rodríguez, uma das muitas 'órfãs' do presidente venezuelano, que chorava a morte do "comandante" na porta do Hospital Militar de Caracas.
"Ele nos deixou em corpo, mas ficaram seus pensamentos e sua liderança", afirmou à AFP Rodríguez, uma professora que se mostrava muito emocionada e usava uma camiseta estampada com os olhos do presidente venezuelano e um cartaz que dizia: "Eu sou Chávez".
Assim como ela, centenas de seguidores do presidente - muitos vestidos com a cor vermelha do partido governista - se dirigiram às portas do hospital militar, com fotos do presidente e cartazes.
Alguns agitavam bandeiras da Venezuela, bonés do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e vários cartazes, entre eles dois com os lemas: "Chávez, nosso libertador do século XXI" e "Povo, Chávez, Revolução, a luta continua".
"Foi um homem que nos ensinou a amar nossa pátria, o comandante parte fisicamente, mas fica em nossos corações e devemos continuar construindo a pátria, continuar a revolução porque era seu desejo mais profundo", disse, com lágrimas nos olhos, Francis Izquierdo, uma funcionária municipal de 40 anos.
"Não devia morrer, foi o melhor presidente que a Venezuela teve, eu vou aonde o velarem, não importa que façamos uma fila de dois dias", disse à AFP, destroçado pela tristeza, o pedreiro Frank Aponte, de 45 anos, em uma rua do leste de Caracas.
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