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Com ameaça de Trump de retomar ataques, EUA e Irã assinam acordo de cessar-fogo

Texto prevê que Teerã dilua seu estoque de urânio e que a Casa Branca alivie sanções contra o país persa

Internacional|Do R7, com Estadão Conteúdo e Reuters

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estados Unidos e Irã assinam acordo provisório de cessar-fogo para encerrar a guerra, com ameaças de Trump caso compromissos não sejam cumpridos.
  • O acordo inclui diluição do urânio iraniano e alívio de sanções americanas, permitindo ao Irã retornar ao mercado global de petróleo.
  • O pacto prevê negociações sobre o programa nuclear iraniano e a criação de um fundo de US$ 300 bilhões para a reconstrução do Irã.
  • O conflito resultou em mais de 7.000 mortes e elevou preocupações sobre crises energéticas e alimentares, enquanto líderes do G7 pedem cessar-fogo imediato no Líbano.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Trump firmou uma cópia física durante um jantar com o presidente da França, Emmanuel Macron Christian Hartmann/REUTERS

Estados Unidos e Irã divulgaram na quarta-feira (17) o texto de um acordo provisório que seus presidentes assinaram para pôr fim à guerra, com o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçando retomar os ataques e matar autoridades iranianas caso não cumprissem seus compromissos.

O acordo prevê que Teerã dilua seu estoque de urânio altamente enriquecido. Em contrapartida, a Casa Branca aliviará as sanções americanas contra o país persa, que ficará livre para retornar ao mercado global de petróleo, em uma grande concessão de Washington.


O pacto para encerrar a guerra entrou em vigor imediatamente após a assinatura, disse o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que mediou as negociações.

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O texto prevê o fim permanente das hostilidades e inicia um prazo de 60 dias para negociações sobre o futuro do programa nuclear do Irã. O acerto permaneceu envolto em segredo e confusão desde que foi anunciado no domingo (14).


Autoridades americanas se recusaram a revelar detalhes, mesmo após dizerem que Trump e o vice-presidente americano, JD Vance, assinaram o documento de forma digital. Trump firmou uma cópia física na quarta-feira, durante um jantar com o presidente da França, Emmanuel Macron, em Versalhes.

“Está assinado”, disse Trump. “Isso não foi fácil.”


Uma cerimônia oficial de assinatura estava planejada para a sexta-feira (19), na Suíça, mas não se sabe se o evento será mantido. Os Estados Unidos, o Irã e o Paquistão deram informações conflitantes sobre o tema.

Em Teerã, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assinou o documento com expressão séria, de acordo com a agência de notícias estatal Irna.


A íntegra do texto ainda não foi publicada pela Casa Branca ou pelo regime iraniano. O que se sabe até agora foi divulgado extraoficialmente por autoridades americanas e pela mídia oficial iraniana.

As fontes dos dois países informam que o acordo prevê o fim das hostilidades, a retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano e a reabertura do estreito de Ormuz. A passagem marítima fica livre de pedágios por dois meses, mas o Irã poderá estabelecer taxas no futuro.

O Irã também se compromete a não fabricar armas nucleares, reafirmando uma promessa que havia feito há décadas. O país também concordou com a “diluição” no local de seu estoque de urânio enriquecido, sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica, embora Trump quisesse retirá-lo do país — o que o Irã rejeitou.

Em contrapartida, o governo americano suspenderá sanções contra o Irã, sem, no entanto, eliminá-las por completo. O texto também prevê a manutenção da integridade territorial do Líbano diante da invasão de Israel contra o grupo Hezbollah, aliado do Irã. O governo israelense, porém, rejeita deixar as áreas ocupadas no sul do Líbano.

O pacto também cria um fundo de US$ 300 bilhões para a reconstrução do Irã, mas o financiamento da iniciativa ainda depende do avanço das negociações.

Conflito gerou crises globais

A guerra começou no dia 28 de fevereiro, com um ataque lançado pelas forças americanas e israelenses contra o território iraniano. O objetivo declarado da ofensiva era impedir o país de desenvolver armamento nuclear.

Durante o conflito, Trump citou outras motivações, como a derrubada do regime iraniano, o que não ocorreu, apesar do assassinato do aiatolá Ali Khamenei. O líder supremo do Irã foi logo substituído pelo filho, Mojtaba Khamenei.

O conflito rapidamente se transformou em um conflito regional que matou mais de 7.000 pessoas, principalmente no Irã e no Líbano; elevou os preços da energia; renovou as pressões inflacionárias e gerou preocupações sobre uma grave crise no abastecimento de alimentos nos países em desenvolvimento.

O Irã alega que mantém um programa nuclear com fins pacíficos, mas é o único país que enriquece urânio a 60% sem declarar uso bélico da substância.

Ameaças de Trump

Trump ameaçou retomar os ataques e matar autoridades iranianas caso não cumprissem seus compromissos. “Se eu não gostar, se eles não se comportarem, voltaremos imediatamente a jogar bombas bem no meio da cabeça deles, OK?”

Líderes iranianos não abordaram as novas ameaças enquanto celebravam o momento, divulgando fotografias do que se acredita ser o primeiro acordo assinado por presidentes dos Estados Unidos e do Irã desde a fundação da República Islâmica, em 1979.

“Tudo o que buscávamos alcançar por meio de ação militar, obtivemos várias vezes mais por meio de negociação; não era nem comparável”, disse o principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, à televisão estatal sobre o acordo.

Países cobram cessar-fogo no Líbano

Líderes do G7 saudaram o acordo em sua cúpula. França, Alemanha, Reino Unido, Japão, Itália, Canadá e Estados Unidos exigiram, em uma declaração conjunta, um cessar-fogo imediato no Líbano, onde o memorando pede a suspensão das hostilidades entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, que mataram milhares de pessoas e deslocaram mais de um milhão.

Os combates diminuíram, mas não cessaram desde que o acordo foi alcançado no domingo, e Israel, que não participou das negociações e cujo exército ocupa o sul do Líbano, afirma que mantém o direito de usar a força.

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