Com Chávez ainda em velório, Venezuela se prepara para novas eleições
Internacional|Do R7
Laura Barros. Caracas, 12 mar (EFE).- Uma semana depois da morte do presidente Hugo Chávez, cujo corpo ainda está sendo velado, a Venezuela se divide entre homenagens ao homem que a governou desde 1999 e uma tensão eleitoral alimentada por acusações mútuas. Os venezuelanos retornaram nesta terça-feira à normalidade após sete dias de luto nacional e no meio de uma nova batalha pelo poder, desta vez entre o discípulo do falecido governante, o presidente interino, Nicolás Maduro, e o líder opositor Henrique Capriles. O esperado tratamento hoje na Assembleia Nacional da emenda constitucional para que o corpo de Chávez possa ser levado ao Panteão Nacional acabou sendo adiado, porque o governo quer estudar mais "os mecanismos" para essa mudança. Hoje a oposição denunciou uma suposta emboscada a seu candidato que lhe impediu de apresentar pessoalmente sua candidatura perante o ente eleitoral, enquanto o governo aposta em uma vitória certa de Maduro em nome de Chávez, que hoje recebeu uma nova homenagem. Oito dias depois da morte de Chávez as lembranças do homem que governou o país durante 14 anos se confundem com uma campanha que começou marcada por milhares de chavistas que seguem chegando de diferentes pontos do país e se mantêm em longas filas para dar o último adeus ao falecido líder. Maduro, indicado por Chávez em dezembro do ano passado antes da quarta operação à que se submeteu após diagnosticar um câncer em meados de 2011, apresentou ontem sua candidatura com a promessa de continuar com as bandeiras da revolução bolivariana. "Esse povo de Simón Bolívar, que está aqui com seu coração dolorido, ontem na rua disse uma só frase: Nicolás Maduro, este homem que está aqui, operário, filho de Chávez, vai ser presidente da República por mandato do povo", afirmou Maduro após receber oito embaixadores designados para a Venezuela. Maduro assegurou ao canal estatal "VTV" que ontem, quando esteve amparado por milhares de apoiadores de Chávez que o acompanharam no Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o povo levava a "marca" e a "força" da vitória em seus rostos e olhos. "Nada nem ninguém vai nos tirar a vitória em 14 de abril, nada nem ninguém (...) A vitória pertence ao povo de Bolívar, de Simón Bolívar, pertence ao comandante Hugo Chávez que levantou as bandeiras de Simón Bolívar de maneira autêntica", acrescentou. O novo vice-presidente, Jorge Arreaza, genro de Chávez, também previu o triunfo de Maduro, no que considerou uma vitória do falecido governante e impulsor da revolução bolivariana. Enquanto isso, a oposição denunciou que seu líder, Henrique Capriles, não formalizou pessoalmente sua candidatura ontem devido a informações que estava sendo preparada uma emboscada para "agredir e atentar" contra sua vida. "Recebemos informações muito sérias e de fontes fidedignas, inclusive de órgãos de segurança, de inteligência do próprio governo, que se preparava contra o candidato Henrique Capriles uma emboscada nas imediações ou nas próprias instalações" do CNE, disse o chefe da campanha opositora, Henry Falcon. Um representante da equipe de Capriles inscreveu ontem a candidatura do opositor para o pleito do próximo dia 14 de abril, nos quais enfrentará, além de Maduro, outros seis aspirantes. Falcon anunciou que a oposição estará "nas próximas horas" no Ministério Público "para fazer as denúncias formais" para que se investigue e se determine responsabilidades "e que o Executivo se pronuncie sobre estes fatos". "O que pode acontecer na Venezuela se Henrique Capriles Radonsky, (...) vir sua integridade física ser comprometida? Podem surgir cenários que ninguém quer", acrescentou o dirigente. Segundo o chefe de campanha, "foi tão delicada a circunstância" que o representante enviado pela oposição para apresentar a candidatura de Capriles teve "sérias dificuldades" para deixar a sede do Conselho e precisou usar uma "saída diferente" com "veículos e escoltas" do CNE, enquanto Maduro considerou um gesto de "fraqueza" a ausência do líder opositor. E enquanto governo e oposição se preparam para uma campanha eleitoral de apenas dez dias, entre 2 e 11 de abril, Chávez será homenageado novamente nesta sexta-feira, quando seu corpo será levado a um museu no oeste de Caracas onde permanecerá embalsamado antes que se defina a última morada do líder bolivariano. EFE lb/rsd (fotos)(vídeo)












