Com muitos desafios, novo governo toma posse na Itália
Liderado pelo novo primeiro-ministro Mario Draghi, novo gabinete terá de combater a pandemia e a recessão econômica
Internacional|Da EFE

O primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, tomou posse nesta quinta-feira (18), após ter sido aprovado na Câmara dos Deputados, e a partir de amanhã se concentrará na gestão da pandemia do coronavírus e projetará reformas para impulsionar o fraco crescimento do país.
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Draghi teve 535 votos a favor, menos que os 556 recebidos por Mario Monti em 2011, enquanto 56 votaram contra, quase todos eles do Irmãos de Itália. Houve cinco abstenções.
A posse era dada como certa, já que o governo tem o apoio quase unânime do Parlamento, com exceção do Irmãos de Itália, de extrema direita. Ao mesmo tempo, havia uma expectativa especial em torno dos deputados do Movimento 5 Estrelas, partido do qual 15 senadores votaram contra Draghi ontem, o que pode levar à expulsão de todos eles da legenda.
Mais uma vez, não houve unanimidade na formação, já que 12 deputados disseram "não" ao novo governo e 12 se abstiveram. Como isso, é possível que eles também sejam expulsos.
O governo do ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) já havia obtido nesta quarta-feira a confiança do Senado. Amanhã, Draghi já terá o seu primeiro grande compromisso, a reunião virtual dos líderes do G7, atualmente sob a presidência do Reino Unido.
Luta contra a corrupção
Draghi já havia proferido um amplo discurso nesta quarta no Senado, em que defendeu o europeísmo e as reformas, e nesta quinta-feira limitou-se a responder aos questionamentos propostos durante debate parlamentar.
O ex-governador do Banco da Itália apontou a corrupção como um flagelo que castiga a economia e prometeu que combatê-la será uma de suas missões.
"Um país capaz de atrair investidores, incluindo os internacionais, deve se defender contra a corrupção. Eles representam um perigo de interferência criminosa, também da máfia, e um fator de desestímulo no tecido econômico devido aos efeitos depressivos sobre a competitividade e a livre concorrência", destacou.
Ele se mostrou a favor de apoiar as pequenas e médias empresas em seu processo de recuperação após a crise provocada coronavírus e destacou que será essencial favorecer a "internacionalização" dessas companhias para fortalecer sua competitividade no mercado global.
Além disso, o premiê declarou que a salvaguarda da marca italiana também será fundamental, além de fornecer escudos para as PMEs contra a concorrência desleal.
Reforma do Judiciário
Draghi escolheu a primeira mulher a servir como presidente do Tribunal Constitucional italiano em dezembro de 2019, Marta Cartabia, como ministra da Justiça, e sua principal tarefa será impulsionar uma reforma que acelere os tempos dos processos judiciais, para alinhá-los aos de outros países da União Europeia.
"Ações inovadoras terão que ser tomadas para melhorar a eficiência da justiça civil e penal, como um serviço público fundamental que respeita todas as garantias e princípios constitucionais que exigem, ao mesmo tempo, um julgamento justo e um processo de duração razoável, em linha com outros países europeus", declarou a ministra.
O governo de Draghi também trabalhará em uma reforma da Administração Pública, para aumentar a transparência e simplificação.
Draghi enfrentará a crise
O vice-presidente e chefe de Comércio da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, participou por videoconferência de uma reunião no Parlamento italiano sobre comércio internacional e salientou que Draghi ajudará a Itália a se recuperar da crise econômica decorrente da pandemia e a implementar as reformas e investimentos necessários.
Ele também disse estar "absolutamente convencido de que o novo governo terá sucesso brilhantemente na execução das medidas e passos necessários" para elaborar o plano de reforma e os objetivos com os quais a Itália pode receber, "o mais rápido possível", os 209 bilhões de euros do Fundo de Recuperação da UE.
O líder do Forza Italia, Silvio Berlusconi, comentou em um evento que Draghi tem uma boa equipe de ministros e esperava aprovar em pouco tempo as medidas que o país precisa, já que tem o apoio de quase todo o Parlamento.
Quem não o apoia são os Irmãos de Itália. A líder da legenda, Giorgia Meloni, afirmou que a formação fará o que tem que fazer para defender o futuro da Itália, em um jogo de palavras com o famoso "O que for preciso" com o qual Draghi salvou o euro em 2012.
"Faremos o que tivermos que fazer. Vocês não terão nosso voto de confiança, mas terão nosso apoio para qualquer decisão que acharmos correta, porque somos, antes de tudo, patriotas", avisou.














