Começa julgamento do único preso pelo massacre de Curuguaty no Paraguai
Internacional|Do R7
Assunção, 11 fev (EFE).- O Tribunal de Salto del Guairá, no leste do Paraguai, iniciou nesta quarta-feira o julgamento de Rubén Villalba, único camponês que continua preso pelo massacre de Curuguaty, que em 2012 causou a destituição do então presidente do Paraguai, Fernando Lugo, informaram seus advogados. Villalba foi submetido a julgamento por conta de um delito de coação ocorrido em 2008 durante um protesto camponês, anterior ao massacre que provocou a destituição de Lugo em um julgamento parlamentar e que serviu para mantê-lo na prisão, enquanto os demais acusados estão em prisão domiciliar. A causa se refere à suposta participação de Villalba na retenção de um veículo da procuradoria que investigava a denúncia dos proprietários de um sítio dedicado à monocultura de soja em Colonia Pindó, onde os camponeses protestavam dizendo que os donos estavam pulverizando sem as mínimas medidas de segurança. No início do julgamento, a promotoria solicitou a introdução de um novo testemunho como "nova prova" que confirmaria a presença de Villalba no local, relataram seus advogados em comunicado. A defesa se opôs à inclusão desta prova porque "não constava no expediente", o que é "improcedente em termos processuais" e, além disso, "deixa Villalba totalmente indefeso", segundo afirmaram. Os advogados pediram a extinção da causa, porque consideram que "foram ultrapassados amplamente todos os prazos para um julgamento razoável". No entanto, o Tribunal resolveu aceitar a inclusão do novo testemunho e rejeitou o pedido de extinção do processo penal, informou a defesa. A causa pela qual Villalba é julgado, conhecida como "caso Pindó", foi reaberta em abril, quando o acusado, que se encontrava em prisão preventiva por sua suposta participação no massacre de Curuguaty, seria beneficiado com uma medida de prisão domiciliar. As autoridades revogaram a medida ao verificar que Villalba estava envolvido no "caso Pindó", e solicitaram seu reingresso na prisão de Tacumbú, onde o camponês tinha passado 58 dias em greve de fome para exigir sua liberdade. Desde então, Villalba está em prisão preventiva por esta causa, embora seus advogados afirmem que o prazo máximo de vigência desta medida para o delito pelo qual é acusado no "caso Pindó" é de seis meses. No total, e após sua detenção em setembro de 2012 pelo massacre de Curuguaty, Villalba acumula 28 meses de prisão preventiva, segundo sua defesa. O massacre em Curuguaty de 11 camponeses e seis policiais ocorreu em um enfrentamento durante um despejo irregular de sem terras que tinham ocupado um sítio que queriam que fizesse parte da reforma agrária. Os fatos levaram à destituição, uma semana depois, do ex-presidente Lugo, após um controverso julgamento político no Congresso, e à nomeação de Federico Franco, do Partido Liberal, como seu sucessor. Os 13 camponeses acusados pelos fatos enfrentam acusações de invasão de imóvel alheio e associação criminosa, e dez deles também são acusados de tentativa de homicídio dos policiais, enquanto não há ninguém acusado pela morte dos 11 camponeses. O julgamento dos acusados, entre os quais Villalba é o único que permanece em prisão, está fixado para junho, depois de ter sido adiado pela Justiça em várias ocasiões. EFE msd/ff/rsd











