Começa trégua natalina de Farc, mas militares continuam com ofensiva
Internacional|Do R7
Bogotá, 15 dez (EFE).- A trégua unilateral de 30 dias declarada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para o período das festividades natalinas começou neste domingo, enquanto o governo mantém suas operações militares contra o grupo guerrilheiro. Transcorridas as primeiras doze horas desde o início do cessar fogo que as Farc marcaram para a 0h local, nem as autoridades nem a imprensa reportou incidentes com o grupo armado ou ataques no país. O último ato de violência relacionado ao conflito antes da trégua foi o assassinato no sábado do comandante da delegacia de polícia de Vega, no estado de Cauca, morto com um disparo na cabeça. Segundo o comandante da polícia do Cauca, coronel Ramiro Ivan Pérez, se investiga se esse assassinato foi cometido pelas Farc, que opera naa região. Foi exatamente após um ataque com explosivos contra a estação de polícia Inzá (no Cauca), que deixou nove mortos, entre eles três civis, que as Farc anunciaram no domingo o início da trégua a partir de hoje. Desde então o grupo guerrilheiro, que negocia em Havana um acordo de paz com o governo, não se manifestou sobre a trégua. O procurador-geral da Colômbia, Eduardo Montealegre, em entrevista à Agência Efe, cumprimentou este domingo a trégua unilateral das Farc e disse que após 50 anos de violência vê que há "uma vontade real" do grupo armado de buscar a paz. "Parece um gesto de boa vontade enorme de parte das Farc ", disse Montealegre. Coletivos que promovem a paz e políticos de várias vertentes também cumprimentaram ontem a iniciativa das Farc em uma carta na qual expressaram seu desejo de que "se torne indefinido" o cessar fogo da temporada. As Farc, ao anunciarem a trégua, advertiram que atuarão se forem atacados e que responderão "sem demora alguma" a qualquer operação das Forças Armadas, e manifestaram seu desejo de que o governo responda ao cessar fogo "ordenando uma suspensão de sua ofensiva". Essa possibilidade nunca esteve nos planos do governo, que reiterou que não interromperá a ofensiva contra os grupos ilegais alegando que foi diante da pressão militar que foi possível levar à guerrilha à mesa de negociação para tentar pôr fim a meio século de conflito armado. "Somos otimistas que essa paz possa ser alcançada. Mas para isso precisamos continuar com a ofensiva, manter a pressão até o último dia. Porque ainda há caminho por percorrer é longo, cheio de obstáculos, cheio de inimigos", disse o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, na sexta-feira. A trégua que começou este domingo é a segunda que as Farc declaram desde que se iniciou o atual processo de negociação com o governo, e amanhã se instalará o último ciclo de diálogos do ano na capital cubana. O primeiro cessar-fogo unilateral da guerrilha começou em 20 de novembro de 2012, um dia depois do início das negociações de paz, e se cumpriu relativamente porque durante os dois meses que durou foram contabilizadas 57 ações armadas contra a população civil e a polícia, segundo a Defensoria Pública. EFE joc/cd











