Comissária de Comércio pede 'luta diária' por igualdade de gênero
Cecilia Malmström mostra dificuldades sofridas por mulheres no mundo e defende que elas se unam sempre para lutar por seus direitos
Internacional|Da EFE

Para a comissária de Comércio da Europa, Cecilia Malmström, apesar dos avanços pela igualdade entre mulheres e homens, ainda existe muito a ser feito, e por isso a luta tem ser diária e muito além do Dia Internacional da Mulher.
"Não existe igualdade. Fizemos muitos avanços, é preciso admitir. Temos mulheres que mandam no mundo, vimos mudanças muito grandes, mas é claro que ainda resta muito a ser feito", indicou a comissária sueca da Comissão presidida por Jean-Claude Juncker.
Malmström lembrou que, apesar das evoluções vistas no mundo todo, "ainda existem meninas que não podem ir à escola, que estão forçadas a se casar precocemente, que são discriminadas, sofrem assédio e encaram diferenças salariais e de oportunidades", acrescentou.
"Não só em 8 de março. É preciso lutar diariamente, o ano inteiro", enfatizou.
Para quem pensa que a Europa é um oásis no meio da desigualdade do mundo, Malmström deixa claro que não é assim.
"Temos muitos problemas na Europa. Claro que a vida para as mulheres é muito melhor aqui do que em outros muitos países do mundo, mas temos que trabalhar duas horas a mais todo dia para ter um salário equivalente ao dos homens", explicou.
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Além disso, na Europa também existem muitas mulheres que se formam, querem trabalhar, mas não encontram a possibilidade de conciliar a carreira com a família. Segundo ela, o mesmo acontece com homens, muitos países e empresas não dão a possibilidade deles combinarem carreira e família.
"Ainda tem muito trabalho pela frente. A luta é cotidiana", insistiu.
Sobre o #MeToo, com o qual muitas mulheres denunciaram assédios sofridos, Malmström considerou que esse movimento global foi "muito importante como um sinal para o mundo de que você tem direito ao seu corpo e direito a dizer 'sim' ou 'não'".
"Você tem direito a não ser forçada a fazer algo só para dar prazer a um homem", destacou, ressaltando que o movimento mostra que "você não está sozinha".
Em sua opinião, as mulheres devem se unir nestas denúncias e formar redes e alianças, também com homens, para trabalhar pela igualdade de gênero.
Para organizações como o Fórum Econômico Mundial, que acredita que ainda serão necessários 100 anos para atingirmos a igualdade real entre mulheres e homens, Malmström pediu ações com exemplos, como começar a convidar mais mulheres para participar dos debates.
"Eu participei muitas vezes de painéis onde eu era a única mulher. Hoje, me nego a ir quando só tem homens, porque deveria ser um 'painel', não um 'homemnel'", disse.
Na sua função, Malmström disse que tenta identificar onde estão os obstáculos para as mulheres fazerem comércio e exportação no mesmo nível que os homens.
"Desde que entrei, tento que todos usem os 'óculos de gênero' em tudo o que estamos fazendo", explicou, apontando como exemplo que o novo acordo de livre-comércio negociado pela União Europeia e o Chile incluirá um capítulo dedicado especialmente ao "comércio e gênero".
Malmström ainda lembrou que quase todos os países dos 164 que formam a Organização Mundial do Comércio são signatários de uma declaração para identificar e eliminar os impedimentos enfrentados pelas mulheres nesse âmbito, já que "em alguns países as mulheres não podem ter uma empresa", por exemplo.
Sobre a próxima Comissão Europeia, que será definida em novembro, Malmström afirmou estar esperançosa com a possibilidade de paridade.
"Tomara. Esta Comissão tem um terço de mulheres, o que é bom, mas não é suficiente. Espero que na próxima Comissão tenha muito mais igualdade, mais ou menos 50% de mulheres", declarou.
Como afirmou, a Comissão Europeia "é uma instituição bastante poderosa, e é preciso mostrar para meninas e meninos que as decisões europeias são feitas com mais igualdade". Por outro lado, lamentou que "quando alguém olha as fotos das reuniões europeias, há duas ou três mulheres, o que transfere o debate aos Estados- membros".
"Precisamos que os partidos promovam mais as mulheres. Em alguns países não existe uma só ministra. Está claro que não pode ser assim. Temos muito trabalho pela frente", concluiu.












