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Comovida, Boston chora o seu "pequeno 11 de Setembro"

Internacional|Do R7

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Jairo Mejía. Boston (EUA), 16 abr (EFE).- Centenas de pessoas de todas as idades se concentraram ao entardecer desta terça-feira em diversos pontos de Boston para chorar pelas vítimas e rezar pelos feridos do atentado de segunda-feira, angustiadas por não saberem a razão do que alguns já chamam de o "11 de Setembro" da cidade. No parque Boston Common, perto de onde aconteceram as explosões, centenas de pessoas foram chegando espontaneamente com velas e se dedicaram a criar murais pedindo paz e a união da cidade. Em um ambiente emotivo, com a queda da tarde, vários pontos emblemáticos da cidade lembraram os três mortos e mais de 170 feridos de um atentando do qual ainda se desconhecem os motivos e os autores. No Garvey Park de Dorchester, cidade nos arredores de Boston, onde vive a família de Martin Richard, o menino de 8 anos morto nas explosões, aconteceu outra concentração para rezar pela mãe e a irmã do garoto, que se encontram hospitalizadas em estado grave. Nos diversos pontos de concentração, onde as pessoas deixaram rosas, mensagens e cantaram músicas, também foi homenageada Krystle Campbell, a jovem de 29 anos identificada nesta terça-feira como uma das vítimas. Em Boston Common, que foi habilitada após as duas explosões como zona de evacuação temporária e onde agora há a presença de guardas militares e veículos blindados, as canções emocionaram os presentes. Em declarações à Agência Efe, o advogado Mark Ruby explicou que "a cidade está surpreendida e triste; isso se transformou em nosso pequeno 11 de Setembro", em referência aos atentados de 2001, que mudaram para sempre a percepção da segurança por parte dos americanos. Pessoas de todas as idades e religiões expressaram em um painel o desejo de paz e de que não se percam os valores democráticos e a união da cidade. Entre os presentes também pesava o fato de ainda não se saber, mais de 24 horas depois, a identidade dos autores das duas explosões e quais foram suas motivações. Patricia Negrón, estudante portorriquenha que vive em Boston, afirma que "há muita ansiedade" por não saber como uma tarde festiva se transformou no incidente mais grave na história recente da cidade. "As pessoas podem esperar algo assim em Nova York, mas nunca aqui", confessou à Efe. "Neste mundo infelizmente há gente disposta a matar. Nós pensamos nesta cidade como um lugar seguro, alheia ao terror, mas uma coisa assim nos faz ver as coisas em perspectiva. No mesmo dia, 41 pessoas morreram no Iraque, e algo tão próximo faz você se dar conta do mundo em que vivemos", reflete o estudante Ethan Harley. "O trauma nos unirá mais", acredita Harley, que também se diz inquieto por não saber os autores das explosões. Khalid, um cidadão marroquino de Boston, pensa que "as autoridades estão nervosas, podemos ver pelo modo como agem", já que por enquanto não há pistas sólidas que decifrem o mistério dos ataques. "Este país é uma grande democracia e uma pessoa sempre poderá andar com uma mochila livremente. Se isso mudar, o país estará perdido", diz o marroquino. Outros moradores de Boston temem que o atentado afunde a economia da cidade e a lance ao medo exacerbado, lembrando os eventos esportivos já suspensos. A maioria acredita na volta à normalidade, mas nesta terça-feira isso está longe de acontecer. EFE jmr/pa (foto) (vídeo)

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