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Compra de empresa brasileira rende ação contra ex-governador de Madri

Ignacio Gonzalez, que governou a comunidade de Madri de 2012 a 2015, é acusado de receber US$ 1,8 milhões em comissões em negócio suspeito

Internacional|Da EFE

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Ignacio Gonzalez foi formalmente acusado de corrupção
Ignacio Gonzalez foi formalmente acusado de corrupção

O ex-presidente (cargo equivalente a governador) da Comunidade de Madri, Ignacio González, foi acusado formalmente nesta segunda-feira (18) de corrupção por fraude na compra da empresa brasileira Emissão Engenharia e Construções pela companhia pública de água Canal de Isabel II, pela qual ele recebeu US$ 1,8 milhão (cerca de R$ 7,5 milhões) em comissões.

A operação ocorreu entre 2012 e 2014, e foram pagos cerca de US$ 31 milhões (cerca de R$ 130 milhões).


Fraude e desvio de verbas

Segundo fontes da Agência Efe no judiciário, o juiz da Audiência Nacional espanhola Manuel García Castellón processou González no Ministério Público pelos crimes de fraude contra a administração e desvio de dinheiro público agravados em relação à compra.


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Também estão em julgamento Edmundo Rodríguez Sobrino, que foi administrador latino-americano dos negócios do Canal de Isabel II, a ex-diretor dessa empresa María Fernanda Richmond, o ex-diretor da empresa colombiana Triple A Ramón Navarro e o representante da Emissão Sebastião Cristovam, entre outros.

Na ordem judicial, da qual cabe recurso, o juiz afirma que a compra da Emissão foi "repleta de ilegalidade" e envolveu uma saída indevida de fundos públicos em detrimento da administração regional de Madri por um montante de entre 6,4 e 9,6 milhões de euros (entre R$ 29 e R$ 44 milhões) devido à sobretaxa paga pela a aquisição.


Ágio e corrupção

Com o conhecimento de González, que presidiu o Canal entre 2003 e 2012 e a Comunidade de Madri entre 2012 e 2015, a empresa pública adquiriu 75% da Emissão por US$ 31 milhões (cerca de R$ 130 milhões), quando na realidade o valor da empresa brasileira variava entre US$ 17,9 milhões (R$ 75 milhões) e US$ 22,2 milhões (cerca de R$ 93 milhões).


O dinheiro pago incluiu, segundo o juiz, os US$ 5,4 milhões (cerca de R$ 22 milhões) que os investigadores teriam distribuído em comissões, dos quais US$ 1,8 milhão (cerca de R$ 7,5 milhões) foram para González.

Paraísos fiscais

De acordo com a ordem judicial, houve transferências feitas pelo Canal em contas bancárias localizadas na Suíça e no Brasil, com comissões que acabaram fora da Espanha em nome de algumas das empresas investigadas e suas interpostas.

O ex-presidente aceitou a compra por um preço considerado exagerado no processo e instruiu seu colaborador Rodríguez Sobrino a gerenciar a operação e garantir a cobrança das comissões.

A acusação faz parte do chamado "caso Lezo", no qual os envolvidos na compra da empresa colombiana Inassa pelo Canal em 2001 já estavam sendo processados, com uma sobretaxa vista como injustificada entre 19 milhões e 29 milhões de euros (cerca de R$ 88 milhões a R$ 174 milhões)

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