Confrontos entre polícia e manifestantes islamitas deixam ao menos 5 mortos no Egito
Egípcios vão às urnas hoje para referendo sobre nova constituição, aprovada após golpe militar
Internacional|Do R7

Quatro civis morreram nesta terça-feira (14) por disparos de supostos seguidores da Irmandade Muçulmana que estavam nos terraços de edifícios da cidade de Sohag, no sul do Egito, informou o Ministério egípcio do Interior. O governo militar interino confirmou ainda a morte de um manifestante da Irmande durante confrontos com a polícia. Para o grupo político-religioso, no entanto, cinco de seus membros morreram hoje no país.
Em comunicado, as autoridades assinalaram que outros sete civis e dois membros das forças de segurança ficaram feridos pelos disparos em Sohag, registrados em uma cêntrica rua dessa cidade no momento em que alguns transeuntes se dirigiam aos colégios eleitorais para votar no referendo constitucional realizado hoje e amanhã, quarta-feira, no Egito.
A polícia deteve 17 supostos atiradores, dos quais quatro portavam fuzis automáticos, e restabeleceu a segurança na zona.
Em outro incidente na Província de Sohag, 15 pessoas foram detidas por supostamente queimar pneus nas estradas que levam aos centros de votação, enquanto três membros da Irmandade Muçulmana foram detidos na Província de Fayum, ao sul do Cairo .
O Ministério do Interior também confirmou a morte de um partidário da Irmandade Muçulmana em enfrentamentos entre islamitas e opositores da confraria na cidade de Nasser, na Província de Beni Suef, no sul da capital.
Esses choques explodiram quando um grupo de pessoas tentavam impedir a votação no referendo constitucional, o que levou a uma troca de tiros entre ambos os bandos até que a polícia os dispersou.
Por sua parte, a Irmandade Muçulmana denunciou hoje a morte de pelo menos cinco manifestantes islamitas por disparos das forças de segurança em distúrbios em várias localidades do país. Dois das vítimas morreram na cidade de Sohag, segundo disse um porta-voz, embora não detalhou se perderam a vida no mesmo incidente abordado pelo Ministério do Interior.
De acordo com a confraria (declarado como "terrorista" pelo governo militar interino), outras duas pessoas morreram no reduto islamita de Kerdasa, na Província de Guiza, e outra em Beni Suef.
Com relação a Kerdasa, o Ministério do Interior indicou que a polícia repeliu uma tentativa dos islamitas de impedir a votação nessa cidade, que esteve tomada durante um mês pelos islamitas, até que as forças de segurança lançaram uma operação para recuperar seu controle em 19 de setembro.
As forças da ordem também evitaram outros ataques nos bairros cairotas de Cidade Nasser, onde detiveram dez pessoas, e de Mursh, com cinco detidos.
Antes da abertura dos colégios eleitorais, uma bomba explodiu perto de um tribunal no bairro cairota de Imbaba, sem causar vítimas.
Além disso, cinco bombas caseiras foram desativadas pelos especialistas em explosivos perto de um colégio de primária na Província de Menufiya, no delta do Nilo.
Os islamitas pediram que as pessoas boicotem o referendo da nova Carta Magna, que emenda a aprovada por eles em 2012, que foi suspensa pelos militares após o golpe de estado que, em 3 de julho, derrubou o presidente egípcio, o islamita Mohammed Mursi.










