Congresso peruano abre votação de impeachment do presidente
Martín Vizcarra teve áudios de conversas com seus assessores vazadas nos quais os orientava a mentir sobre seu vínculo com um artista
Internacional|Da EFE

O Congresso do Peru abriu nesta sexta-feira a votação final do processo que pode levar ao impeachment do presidente do país, Martin Vizcarra, acusado de "incapacidade moral permanente" por aparentes tentativas de esconder um caso de corrupção.
A princípio, a iniciativa não tem os votos necessários para retirar o presidente do poder.
Embora tenha sido informado inicialmente que Vizcarra não iria à votação no Congresso, algo que não era obrigatório, ele por fim compareceu poucos minutos antes do início da sessão.
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Estimativas baseadas em declarações públicas de parlamentares sugerem que apenas um dos nove partidos representados no Congresso, o União pelo Peru, apóia abertamente o impeachment.
Porém, a legenda conta com apenas 13 votos, e são necessários 87 para que Vizcarra seja cassado.
Apoio no Congresso
O Aliança para o Progresso (APP), que votou pela abertura do impeachment, confirmou através de seus líderes e porta-vozes que agora não apoia mais a cassação, assim como o Somos Peru, o Força Popular e o Partido Morado.
O Ação Popular e o Podemos Peru, que também foram entusiastas do impeachment, agora não parecem dispostos a votar em bloco a favor, enquanto o partido evangélico Frepap e o esquerdista Frente Ampla não revelaram orientação para suas bancadas, mas não é esperado que apoiem a medida.
O julgamento político de Vizcarra recebeu ontem aprovação do Tribunal Constitucional, que se recusou a suspender o processo enquanto a Suprema Corte decide se o Congresso tem o poder de usar o argumento da "incapacidade moral" para afastar o presidente.
Este foi um pedido do Poder Executivo, que alega que o uso do conceito de "incapacidade moral", contido na Constituição, tem interpretação tão ampla que possibilita a adoção de qualquer pretexto pelo Congresso para derrubar um presidente.
Caso Swing
O Congresso apresentou uma moção para retirar Vizcarra do cargo como resultado de três áudios divulgados na semana passada e nos quais o presidente peruano é ouvido orientando assessores dele a mentirem em um inquérito sobre seu vínculo com o cantor Richard Swing desde que foi empossado, em 2018.
O artista é investigado por supostamente ter se beneficiado de contratos com o governo por meio do Ministério da Cultura. Swing foi pago para prestar um trabalho de consultoria que, segundo a oposição, seria fraudulento.











