Conselho da ONU cobra "clareza" após suposto ataque químico na Síria
Internacional|Do R7
NAÇÕES UNIDAS, 21 Ago (Reuters) - O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou nesta quarta-feira que é preciso esclarecer o suposto ataque com armas químicas contra subúrbios de Damasco, na Síria, mas não chegou a solicitar explicitamente uma investigação.
"Há uma forte preocupação entre os membros do Conselho sobre as acusações, e uma sensação geral de que precisa haver clareza sobre o que aconteceu, e que a situação deve ser acompanhada de perto", disse a jornalistas a embaixadora argentina na ONU, María Cristina Perceval, após reunião de emergência a portas fechadas do conselho, presidido por ela neste mês.
Embora o conselho não tenha solicitado explicitamente uma investigação, o órgão saudou uma proposta nesse sentido feita pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
A oposição síria acusou as forças do presidente Bashar al-Assad de ter cometido ataques com gás durante a madrugada contra subúrbios a leste de Damasco, matando centenas de pessoas que dormiam. Alguns relatos falam em até 1.300 mortos no ataque, que teria ocorrido por volta de 3h (21h de terça-feira em Brasília).
O governo de Assad negou ter usado armas químicas.
Governos ocidentais e do Oriente Médio propuseram que investigadores da ONU que chegaram há três dias a Damasco para examinar acusações anteriores sobre o uso de armas químicas sejam enviados ao local do suposto ataque desta quarta-feira.
Cerca de 35 países, incluindo EUA, Grã-Bretanha e França, solicitaram que o investigador-chefe Ake Sellstrom e sua equipe investiguem o incidente na Síria assim que for possível.
Mas diplomatas disseram que a Rússia e a China, aliadas de Assad, se opuseram a qualquer linguajar que indicasse um pedido explícito de investigação da ONU.
Uma proposta redigida pelo Ocidente e vista pela Reuters pedia que a organização "tomasse urgentemente as medidas necessárias para que o ataque de hoje seja investigado pela missão da ONU".
O texto acabou sendo diluído para acomodar as objeções sino-russas, segundo relatos à Reuters de diplomatas participantes do conselho.
Mesmo assim, o embaixador-adjunto da Grã-Bretanha na ONU, Philip Parham, disse que a declaração do conselho equivale na prática a um pedido de investigação. "Ela (Perceval) deixou muito claro que o conselho apoiava uma investigação imediata, minuciosa e independente", afirmou ele.
O subsecretário-geral da ONU, Jan Eliasson, disse que Sellstrom já está em contato com o governo sírio sobre essa possível investigação e espera que Sellstrom possa visitar em breve o local.
(Reportagem de Louis Charbonneau e Michelle Nichols)











