Continente americano discute violência contra crianças e adolescentes
O congresso tem como objetivo promover o intercâmbio de experiências na região
Internacional|Agência Brasil
Representantes governamentais e especialistas de 26 países do continente americano estão reunidos em Brasília para discutir a violência contra crianças e adolescentes no 21º Congresso Pan-Americano da Criança e do Adolescente. O evento, promovido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, começou nesta quarta-feira (10) e vai até sexta-feira (12).
Com o tema “Infância e Adolescência: construindo ambientes de paz”, o congresso tem como objetivo promover o intercâmbio de experiências e fazer recomendações para o enfrentamento da violência contra jovens no continente.
Entre os temas em debate estão a garantia dos direitos dos adolescentes em conflito com a lei, o enfrentamento à exploração sexual de crianças e adolescentes e a celebração dos 25 anos da Convenção sobre os Direitos da Criança.
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A ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Ideli Salvatti, informou que, ao final do congresso, será estabelecida uma resolução com metas para que os países se comprometam no enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes.
“É um congresso importante porque comemoramos os 25 anos da carta da ONU em favor das crianças e dos adolescentes. Podemos fazer uma retrospectiva das políticas públicas implantadas no nosso continente, trocar experiências e estabelecer novas metas e estratégias para garantir os direitos das crianças e adolescentes. Há o crescimento da violência, com um número excessivo de homicídios da população jovem negra e de periferia”, disse a ministra.
A secretária nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Angélica Goulart, disse que o continente ainda enfrenta uma dura realidade social. Ela citou dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), de que das mais de 200 milhões de crianças da América Latina e do Caribe, 81 milhões vivem na pobreza e 32 milhões em situação de extrema pobreza.
“O congresso vai tratar das piores formas de violência, entre elas a exploração sexual. Segundo a OIT [Organização Internacional do Trabalho], 12,3 milhões de pessoas são vítimas de trabalho forçado no mundo e 1,39 milhão são adolescentes”, disse.
Antes da abertura do congresso, ativistas de direitos humanos fizeram um ato contra o extermínio da juventude e lançaram a Campanha Nacional Viver sem Nada, Morrer por Nada.
Segundo Denise Campos, coordenadora da Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente, o ato tinha por objetivo chamar a atenção do alto índice de mortes dos jovens no Brasil. “É preciso dar um basta nesse cenário tão violento que vivemos”.
Paralelamente ao congresso, também ocorre o II Fórum Pan-Americano de Crianças e Adolescentes, com 70 adolescentes de 17 países. Segundo o gaúcho Matheus Medeiros de Oliveira, parlamentar juvenil do Mercosul de 16 anos, os jovens vão discutir temas de violação dos direitos humanos e tentar encaminhar propostas. “Esse intercâmbio de ideias é muito bacana, porque, apesar de nossas diferenças, temos muitos problemas em comum”.
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