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Cristina Kirchner ignora oposição e mantém silêncio sobre vice-presidente

Internacional|Do R7

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Buenos Aires, 30 jun (EFE).- Apesar da expectativa gerada por um pronunciamento oficial, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, manteve silêncio nesta segunda-feira sobre o indiciamento por corrupção do vice-presidente Amado Boudou, que se encontra em viagem oficial no Panamá e de quem a oposição exige a renúncia. A expectativa estava posta na reaparição hoje de Cristina em um ato oficial em Buenos Aires, após ter passado o fim de semana retirada na cidade patagônica de El Calafate, onde na sexta-feira passada, dia em que se anunciou o indiciamento, foi informada da situação do número dois de seu Executivo e titular do Senado. No entanto, Cristina hoje se restringiu ao programa estabelecido, a inauguração de uma nova pista na Avenida General Paz, no limite entre a cidade e a região que cerca a capital argentina, e não fez alusão alguma a Boudou, acusado de delitos de suborno passivo e negociações incompatíveis com sua função. Horas antes, o chefe de Gabinete, Jorge Capitanich, negou que tenham acontecido reuniões no seio do Executivo para estudar a situação do vice-presidente, que enfrenta acusações que podem lhe custar até seis anos de prisão. "Primeiro, em meu caráter de chefe de Gabinete, não sou advogado penalista para opinar sobre a situação processual ou a decisão de um juiz. Segundo, tudo o que precisava ser dito, foi dito", sentenciou Capitanich em sua entrevista coletiva diária. O vice-presidente iniciou na semana passada uma viagem oficial que lhe levou a Cuba e hoje se encontra no Panamá, onde assistirá amanhã, como representante da Argentina, à posse de Juan Carlos Varela como presidente. Em Havana, Boudou recebeu a notícia de seu indiciamento na causa que investiga a suposta compra irregular da emissora de papel-moeda Ciccone Calcográfica. O magistrado federal Ariel Lijo sustenta na resolução judicial que, valendo-se de testas-de-ferro, o vice-presidente utilizou seu cargo como ministro da Economia (2009-2011) para controlar parte da empresa e beneficiar-se de contratos com o Estado. Diferentes setores da oposição reivindicam que Cristina Kirchner afaste Boudou do cargo e que seu vice seja submetido a um julgamento político. "Espero uma reação do conjunto da representação política tanto da presidente como do bloco governista no Congresso", afirmou hoje a deputada Margarita Stolbizer, da coalizão de centro-esquerda Frente Ampla Unen. Stolbizer ressaltou especialmente o fato de que o vice-presidente esteja representando à Argentina no exterior em sua atual situação. "Me preocupa que um funcionário desse nível, que está indiciado por corrupção, nos esteja representado no exterior, é muito ruim para a Argentina. Estas são as questões que depois terminam custando alguma coisa", declarou. Na mesma linha se manifestou o radical Ernesto Sanz, para quem "Boudou não pode presidir o Senado pela violência moral que representa para a instituição e os demais senadores". "Além disso, também não pode ser vice-presidente e representar os argentinos no exterior. É um problema da Argentina e da imagem da Argentina, a não ser que a presidente não se importe isto, mas apenas em protegê-lo", comentou. O vice-presidente é acusado de ter aceitado 70% das ações da Ciccone em 2010, quando era ministro da Economia, em troca de ajudar a empresa a suspender um pedido de falência solicitado pela Receita Federal por dívidas impositivas. Segundo o juiz Lijo, Boudou teria atuado junto com José María Núñez Carmona, empresário e amigo do vice, e Alejandro Vandenbroele, da firma The Old Fund, empresa que assumiu a Ciccone. Lijo também indicou os donos da Ciccone por supostamente oferecer a cessão de ações em troca de serem salvos da falência e de pactuar contratos com o Estado para imprimir cédulas e documentos oficiais. Além disso, indiciou um ex-chefe de assessores da Receita que supostamente facilitou um plano de pagamentos para suspender a falência. EFE ajs/rsd (foto)

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