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“Dessa vez, a guerra é mais violenta dos dois lados”, diz palestino em Gaza

Omar El Jamal conta como é o dia a dia em meio à ofensiva israelense

Internacional|Natália Guerra, do R7

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Apenas na segunda-feira (19), 80 alvos foram atingidos em Gaza
Apenas na segunda-feira (19), 80 alvos foram atingidos em Gaza

Quem vive na Faixa de Gaza, um pequeno território de 360 km² habitado por 1,6 milhão de palestinos, evita sair de casa desde a última quarta-feira (14). Já são mais de cem palestinos mortos e 1.350 alvos atingidos em Gaza desde que Israel colocou em prática a operação Pilar de Defesa, com o assassinato do chefe de operações militares do Hamas, Ahmad Jaabari.

Em entrevista ao R7, o palestino Omar El Jamal, que viveu 35 anos no Rio de Janeiro e mora há cinco no centro da cidade de Gaza, contou que é impossível dormir com os bombardeios.


Omar El Jamal, que viveu 35 anos no Brasil, mora há cinco anos em Gaza
Omar El Jamal, que viveu 35 anos no Brasil, mora há cinco anos em Gaza

— Os ataques são muito violentos. Ontem à noite nem eu nem minha filha [de um ano e quatro meses] conseguimos dormir.

Omar estava em Gaza quando Israel bombardeou a região entre 2008 e 2009. Mas ele disse que agora está muito mais assustado.


— Três anos atrás, eu assisti a uma guerra. Mas dessa vez ela é mais violenta, mais forte, dos dois lados. Eu não saio de casa. É realmente perigoso.

O palestino relatou que os comércios estão fechados e a cidade de Gaza está vazia. Apenas hospitais e farmácias continuam funcionando. Quitandas e padarias abrem somente pela manhã.


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Ainda segundo Omar, por enquanto, não há relatos de problemas no abastecimento de alimentos.

— Não escutei falar que está faltando alguma coisa. Mas ainda são seis dias [de bombardeios israelenses].

Omar nasceu na Faixa de Gaza, mas viveu mais de três décadas no Rio de Janeiro, onde tinha negócios. Ele retornou a Gaza para cuidar da saúde da mãe, que acabou falecendo. Lá, se casou e teve uma filha. O palestino, que se considera “mais brasileiro que muitos brasileiros”, disse que é hora de “dar um lugar para os palestinos para eles viverem a vida deles tranquilos, sossegados”.

— Israel tem que concordar [com o Estado da Palestina]. O povo palestino sofre. Os palestinos têm direito à pátria deles também, como qualquer outro povo.

Escalada da violência

Apenas na segunda-feira (19), 80 alvos foram atingidos em Gaza, deixando pelo menos 23 palestinos mortos. Fontes médicas falam em 101 mortos em Gaza desde a última quarta-feira. 

O Exército israelense já confirmou 95 mortes — sendo que um terço delas não tinha qualquer relação com o conflito.

Em Israel, o medo também continua, sobretudo depois que um foguete matou três israelenses na quinta-feira (15) em Kiryat Malachi, ao sul de Israel.

Mais de 540 foguetes já atingiram Israel desde a última quarta-feira — quase todos eles em áreas abertas, longe das cidades. O sistema de defesa antimísseis Iron Dome já interceptou cerca de 320 foguetes.

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