“Dessa vez, a guerra é mais violenta dos dois lados”, diz palestino em Gaza
Omar El Jamal conta como é o dia a dia em meio à ofensiva israelense
Internacional|Natália Guerra, do R7

Quem vive na Faixa de Gaza, um pequeno território de 360 km² habitado por 1,6 milhão de palestinos, evita sair de casa desde a última quarta-feira (14). Já são mais de cem palestinos mortos e 1.350 alvos atingidos em Gaza desde que Israel colocou em prática a operação Pilar de Defesa, com o assassinato do chefe de operações militares do Hamas, Ahmad Jaabari.
Em entrevista ao R7, o palestino Omar El Jamal, que viveu 35 anos no Rio de Janeiro e mora há cinco no centro da cidade de Gaza, contou que é impossível dormir com os bombardeios.

— Os ataques são muito violentos. Ontem à noite nem eu nem minha filha [de um ano e quatro meses] conseguimos dormir.
Omar estava em Gaza quando Israel bombardeou a região entre 2008 e 2009. Mas ele disse que agora está muito mais assustado.
— Três anos atrás, eu assisti a uma guerra. Mas dessa vez ela é mais violenta, mais forte, dos dois lados. Eu não saio de casa. É realmente perigoso.
O palestino relatou que os comércios estão fechados e a cidade de Gaza está vazia. Apenas hospitais e farmácias continuam funcionando. Quitandas e padarias abrem somente pela manhã.
Israel bombardeia mais de cem alvos em Gaza
Premiê turco chama Israel de "Estado terrorista" por ataques a Gaza
Ofensiva prolongada em Gaza pode causar guerra em todo o Oriente Médio
Fotos: conflito sangrento causa terror e morte
Ainda segundo Omar, por enquanto, não há relatos de problemas no abastecimento de alimentos.
— Não escutei falar que está faltando alguma coisa. Mas ainda são seis dias [de bombardeios israelenses].
Omar nasceu na Faixa de Gaza, mas viveu mais de três décadas no Rio de Janeiro, onde tinha negócios. Ele retornou a Gaza para cuidar da saúde da mãe, que acabou falecendo. Lá, se casou e teve uma filha. O palestino, que se considera “mais brasileiro que muitos brasileiros”, disse que é hora de “dar um lugar para os palestinos para eles viverem a vida deles tranquilos, sossegados”.
— Israel tem que concordar [com o Estado da Palestina]. O povo palestino sofre. Os palestinos têm direito à pátria deles também, como qualquer outro povo.
Escalada da violência
Apenas na segunda-feira (19), 80 alvos foram atingidos em Gaza, deixando pelo menos 23 palestinos mortos. Fontes médicas falam em 101 mortos em Gaza desde a última quarta-feira.
O Exército israelense já confirmou 95 mortes — sendo que um terço delas não tinha qualquer relação com o conflito.
Em Israel, o medo também continua, sobretudo depois que um foguete matou três israelenses na quinta-feira (15) em Kiryat Malachi, ao sul de Israel.
Mais de 540 foguetes já atingiram Israel desde a última quarta-feira — quase todos eles em áreas abertas, longe das cidades. O sistema de defesa antimísseis Iron Dome já interceptou cerca de 320 foguetes.










