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Diálogo por orçamento em Washington é retomado, mas acordo ainda está longe

Cerca de 900 mil funcionários públicos estão sem remuneração desde 1º de outubro

Internacional|Do R7

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Democratas e republicanos retomaram seus contatos na manhã desta sexta-feira (11), com o objetivo de evitar uma suspensão de pagamentos catastrófica dos Estados Unidos, mas as perspectivas de uma solução rápida ainda não são claras, no décimo primeiro dia de crise orçamentária.

Os congressistas republicanos, sob pressão de muitas pesquisas de opinião, deram a entender, pela primeira vez, que é possível avançar nas negociações sobre o orçamento e o limite da dívida, depois de uma reunião com o presidente Barack Obama na noite de quinta-feira (10).


"Nossas equipes vão continuar conversando esta noite, teremos mais discussões; o presidente disse que consultaria seu governo e espero que possamos entrever uma forma de avançar", declarou Eric Cantor, chefe da maioria republicana da Câmara de Deputados.

Republicanos acenam com acordo sobre dívida, mas Obama é cauteloso


Casa Branca diz que negociação com republicanos continua

Líderes republicanos propuseram adiar por várias semanas o vencimento do prazo da dívida, uma solução temporária que busca evitar um default dos Estados Unidos. O presidente se mostrou feliz com a sugestão, apesar de dizer que prefere uma solução a longo prazo.


O plano foi apresentado a Obama na quinta-feira, mas "não foi tomada nenhuma decisão definitiva", segundo Brendan Buck, porta-voz do presidente da Câmara, o republicano John Boehner. Buck comemorou que a reunião tenha sido realizada, qualificando-a como uma "conversa útil e produtiva".

A Casa Branca se referiu à reunião em termos muito neutros, ao dizer que "após uma discussão sobre as possíveis formas de avançar, não foi escolhida nenhuma opção específica".


"O presidente espera continuar fazendo progressos com os membros dos dois partidos", democratas e republicanos, acrescentou.

Boehner anunciou previamente que seria organizada uma votação para aumentar o limite legal da dívida de forma "temporária". Se não for autorizada um maior endividamento do Estado, este entraria em default no dia 17 de outubro próximo.

Em troca, os republicanos querem realizar negociações sobre o orçamento e de uma reforma dos programas sociais, entre os quais o sistema de aposentadoria.

"O presidente está feliz já que um apaziguamento finalmente parece reinar na Câmara e que ali pelo menos parecem reconhecer que a suspensão dos pagamentos não é uma alternativa", disse o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, pouco antes da reunião.

Contudo, a proposta não deteria a paralisação que afeta a maioria das agências governamentais. Obama exigiu o fim desta paralisação antes de iniciar negociações.

Segundo vários legisladores, esta prorrogação seria de seis semanas, o que mudaria para a 22 de novembro a nova data na qual o Congresso deve aprovar um aumento do teto da dívida.

Após o anúncio, os mercados reagiram positivamente com os principais indicadores a alta. Os principais índices de Wall Street subiram mais de 2% na quinta e nesta sexta-feira continuavam levemente em alta.

O secretário do Tesouro, Jacob Lew, não tinha se manifestado contra uma extensão do prazo, mas alertou na quinta-feira que uma prorrogação do bloqueio orçamentário até o último minuto poderia ser "muito perigoso".

O limite da dívida, de R$ 37 bilhões (16,7 trilhões de dólares), foi alcançado em maio e o Tesouro não pode continuar pedindo dinheiro emprestado, apenas por meio de medidas "extraordinárias".

Contudo, a entidade já alertou que depois de 17 de outubro não estaria em condições de pedir mais fundos e que suas entradas se limitariam a R$ 65 bilhões (30 bilhões de dólares) e às receitas fiscais subsequentes.

O secretário também rejeitou a ideia de que o Tesouro poderia tranquilizar os mercados priorizando alguns pagamentos, como, por exemplo, os juros da dívida, acima de outros, como os terceirizados.

Cerca de 900 mil funcionários públicos federais estão de licença sem remuneração desde 1º de outubro porque o Congresso não aprovou um orçamento para o ano fiscal 2013-2014, que começou nessa data.

A última "vítima" da paralisia foi a assinatura de um acordo entre Estados Unidos e França para a luta contra a evasão fiscal, de acordo com o ministro francês de Economia, Pierre Moscovici.

Se não houver um acordo, os tribunais federais, que até agora se mantiveram funcionando, fechariam suas portas no final da próxima semana, alertou o governo.

Nesse contexto, o presidente Obama assinou na quinta-feira a lei que restabelece o pagamento de indenizações às famílias dos soldados mortos, cuja suspensão por causa do bloqueio orçamentário tinha desatado um escândalo. O Senado aprovou por unanimidade a medida, já aprovada pela câmara baixa.

Por outro lado, segundo pesquisa da NBC/Wall Street Journal divulgada na quinta-feira, 53% dos norte-americanos consideram que os republicanos são os responsáveis pela paralisia do governo federal, contra 31% que acusa o presidente Obama.

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