Dilma: governo tomará "medidas para proteger o país" contra espionagem
Internacional|Do R7
Brasília, 9 set (EFE).- A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira que o governo tomará "todas as medidas para proteger o país" de espionagens e que "está empenhado em obter esclarecimentos do governo dos Estados Unidos", cuja Agência Nacional de Segurança (NSA) é agora acusada de monitorar ilegalmente a Petrobras. "Se confirmados os fatos veiculados pela imprensa, fica evidenciado que o motivo das tentativas de violação e de espionagem não é a segurança ou o combate ao terrorismo, mas interesses econômicos e estratégicos", disse a presidente em nota oficial. "Tais tentativas de violação e espionagem de dados e informações são incompatíveis com a convivência democrática entre países amigos, sendo manifestamente ilegítimas. De nossa parte, tomaremos todas as medidas para proteger o país, o governo e suas empresas", acrescentou. Segundo reportagem exibida ontem à noite pela "TV Globo", os serviços de inteligência dos Estados Unidos, acusados de violar as comunicações de Dilma, também espionaram a Petrobras. A denúncia se apoia em documentos entregues pelo ex-analista da NSA, Edward Snowden, ao jornalista Glenn Greenwald, colunista do jornal britânico "The Guardian" que vive no Rio de Janeiro. A reportagem explicou que os documentos correspondem a um curso dado pela NSA a seus agentes e aparentemente voltado a prepará-los para espionar empresas. O nome da Petrobras, uma das maiores empresas de energia do mundo, aparece em muitos desses cursos, o que, de acordo com a reportagem, "contradiz a afirmação da NSA de que a espionagem não tem objetivos econômicos ou comerciais". No entanto, os documentos mostrados não detalham em nenhum momento a que tipo de informação sobre a Petrobras a agência americana teve acesso, nem deixam claro se a empresa - que não fez comentários sobre o caso - foi realmente espionada ou era citada só como um exemplo. "Sem dúvida, a Petrobras não representa ameaça à segurança de qualquer país. Representa, sim, um dos maiores ativos de petróleo do mundo e um patrimônio do povo brasileiro", disse Dilma. A presidente afirmou que seu governo exigirá de Washington explicações a respeito, assim como "medidas concretas que afastem em definitivo a possibilidade de espionagem ofensiva aos direitos humanos, a nossa soberania e aos nossos interesses econômicos", Na semana passada, após saber da suposta espionagem a Dilma, também com base em documentos revelados por Snowden, o Brasil convocou o embaixador dos Estados Unidos no país, Thomas Shannon, a quem lhe transmitiu sua exigência de "explicações rápidas" e "por escrito". Dilma apresentou pessoalmente o assunto ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na semana passada durante a reunião de líderes do G20 na cidade de São Petersburgo, na Rússia. Após um encontro em particular com Obama, a presidente disse que este se comprometeu a dar explicações antes da próxima quarta-feira. Dilma condicionou a visita de Estado que deve fazer a Washington no dia 23 de outubro precisamente a essas explicações que aguarda da Casa Branca. EFE cma/id











