Drones, impasse e caos global: as semelhanças entre a guerra na Ucrânia e no Irã
Conflito no Oriente Médio completa três meses em meio a entraves nas negociações por um acordo de paz
Internacional|Do R7
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Quando os Estados Unidos atacaram o Irã, em fevereiro deste ano, o presidente Donald Trump afirmou que a ofensiva seria uma “excursão curta” e duraria entre quatro e cinco semanas. No entanto, nesta quinta-feira (28), o conflito chega ao terceiro mês em meio a entraves nas negociações por um acordo de paz.
O cenário lembra o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, que completou quatro anos recentemente. Na época, o presidente russo Vladimir Putin também esperava uma vitória rápida, mas encontrou resistência de um país militarmente inferior.
Além de enfrentarem potências bélicas, o Irã e a Ucrânia passaram a adotar estratégias parecidas contra seus inimigos. Segundo especialistas ouvidos pelo jornal The New York Times, os dois cenários ajudam a mostrar como a tecnologia e relações diplomáticas vêm transformando a guerra moderna.
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Táticas assimétricas
Em ambos os casos, os países com arsenais menores recorreram a táticas assimétricas, usadas quando uma nação tenta compensar a diferença de poder militar com ataques estratégicos em vez do confronto direto.
A Ucrânia intensificou ofensivas contra refinarias, bases e estruturas importantes da Rússia, além de usar drones marítimos para enfraquecer a presença russa no Mar Negro. O Irã, por sua vez, passou a pressionar aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio com drones explosivos e ameaças em regiões estratégicas, como o estreito de Ormuz, rota importante para o transporte mundial de petróleo.
Drones
A presença dos drones se tornou um dos pontos mais marcantes dos dois conflitos. O modelo iraniano Shahed, por exemplo, foi enviado para a Rússia ainda em 2022 e passou a ser usado em ataques contra cidades ucranianas. Agora, tecnologias semelhantes aparecem também no Oriente Médio.
De acordo com especialistas, o avanço de sistemas mais baratos, guiados por inteligência artificial e capazes de atingir alvos com precisão, é outro fator que está mudando a lógica das guerras. Equipamentos criados para detectar drones russos na Ucrânia, inclusive, já foram usados pelos Estados Unidos para proteger bases militares na Arábia Saudita.
Impacto global
As duas guerras também provocaram efeitos econômicos e diplomáticos em diferentes partes do mundo. A escalada do conflito envolvendo o Irã aumentou a preocupação internacional com o abastecimento de energia e pressionou mercados globais de petróleo e gás. Na Europa, líderes temem que uma crise energética causada pelas tensões no Oriente Médio prejudique ainda mais a economia já afetada pela guerra na Ucrânia.
Para analistas, os conflitos mostram que as guerras modernas vão além de tanques e tropas em campo. Hoje, as disputas dependem cada vez mais de drones, inteligência artificial e alianças estratégicas.
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