Qual é a real situação do estreito de Ormuz? Quantos navios estão presos? Entenda
Irã e Estados Unidos relataram avanço nas negociações para pôr fim a quase três meses de guerra
Internacional|Do R7
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A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, causou restrições à navegação no estreito de Ormuz. A rota é considerada estratégica e responde pelo escoamento de cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito no mundo.
Antes do conflito, o fluxo marítimo na região chegava a cerca de 125 a 140 travessias diárias. Com o fechamento parcial imposto pelo Irã como forma de retaliação, a movimentação despencou. Dados da empresa americana SynMax Intelligence apontam que as travessias caíram para menos de 60 entre 18 de abril e 6 de maio.
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Segundo a Reuters, aproximadamente 20 mil tripulantes permanecem no local em cerca de 2.000 navios, enfrentando dificuldades logísticas, como acesso limitado a alimentos, água potável e suprimentos básicos, além da incerteza sobre a duração do bloqueio.
Ainda segundo a agência, a permanência prolongada no local tem levado a uma rotina de isolamento a bordo, com tripulações confinadas a espaços reduzidos e expostas a condições adversas no convés durante longos períodos.
Em resposta ao bloqueio de Ormuz, os EUA também impuseram um bloqueio naval, nas águas do Mar Arábico, contra navios que tenham origem ou destino em portos iranianos.
As instalações são vitais para a economia de Teerã. Ainda assim, segundo a Deutsche Welle (DW), alguns navios iranianos estariam conseguindo atravessar a região mesmo com o bloqueio em vigor.
Irã avalia criação de sistema de cobrança em Ormuz
O Irã tem discutido com Omã — país do Golfo Pérsico e aliado dos Estados Unidos — a criação de um sistema de cobrança para embarcações que atravessam o estreito de Ormuz. Segundo o The New York Times, a proposta ignora alertas do governo americano contra qualquer tipo de exigência de pagamento na passagem.
Nos últimos meses, o presidente americano, Donald Trump, criticou a possibilidade de o país persa instituir taxas no estreito e chegou a sugerir que os próprios EUA poderiam adotar um modelo de cobrança. O republicano também mencionou a possibilidade de divisão das receitas geradas por esse sistema.
Em paralelo, a emissora estatal iraniana Press TV informou que o país desenvolveu um novo mecanismo de controle do tráfego marítimo na região, com a cobrança de valores relacionados a “serviços especializados” prestados às embarcações.
Segundo a DW, há relatos de que, desde o fechamento do estreito, o Irã passou a cobrar tarifas de navios que tentam cruzar a passagem marítima. Em alguns casos, os valores chegariam a até US$ 2 milhões (cerca de R$ 10 milhões) por embarcação, especialmente navios-tanque de petróleo e gás.
Apenas embarcações sem ligação com EUA, Israel ou países que não apoiam a ofensiva contra o Irã teriam recebido autorização para atravessar a região.
Trump diz que negociadores estão se aproximando de acordo com o Irã
Em meio ao impasse envolvendo a rota marítima, Trump afirmou no sábado (23) que negociadores americanos e iranianos estão “chegando muito mais perto” de concluir um acordo para encerrar a guerra, segundo entrevista concedida à CBS News.
Segundo o republicano, o acordo final impedirá o Irã de obter uma arma nuclear e garantirá que o urânio enriquecido do Irã seja “tratado de forma satisfatória”, segundo a CBS. Já o Irã e o Paquistão, que atua como mediador do conflito, disseram, também no sábado, que houve progresso nas negociações.
Um cessar-fogo do conflito foi declarado há seis semanas, com o objetivo de abrir espaço para um acordo sobre o programa nuclear do Irã e a reabertura de Ormuz. Trump afirmou que irá discutir o mais recente esboço da proposta com assessores e que poderá decidir no domingo (24) se retoma ou não a guerra. As declarações foram feitas ao Axios, em entrevista separada.
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