Drones movidos a jato: como é a nova aposta da Rússia na guerra
Segundo governo da Ucrânia, itens são lançados a partir do sul do território russo e da Crimeia ocupada
Internacional|Do R7
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A Rússia está modificando sua estratégia de ataques aéreos contra a Ucrânia ao substituir parte dos drones convencionais por modelos a jato, que voam em velocidades muito maiores e dificultam a interceptação. A avaliação foi feita pelo porta-voz da Marinha ucraniana, Dmytro Pletenchuk, em entrevista à emissora estatal Ukrinform.
Segundo o militar, Moscou vem reduzindo o emprego dos drones Geran-1 e Geran-2, versões produzidas na Rússia do iraniano Shahed, equipados com motores a hélice. Em seu lugar, estariam sendo utilizados cada vez mais os modelos Geran-3, Geran-4 e, mais recentemente, o Geran-5, movidos a jato.
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Pletenchuk afirmou que os novos equipamentos se tornaram prioridade nas ofensivas russas de longo alcance. Grande parte desses drones é lançada a partir do sul da Rússia e da Crimeia ocupada, cruzando o Mar Negro antes de atingir o território ucraniano.
O Geran-5 já havia sido exibido por Moscou em maio, durante um desfile militar. Na época, o equipamento contava com aproximadamente 6 metros de comprimento e envergadura de até 5,5 metros, dimensões semelhantes às de um pequeno míssil de cruzeiro.
Para conduzir a aeronave até o alvo, o sistema utiliza um navegador por satélite Kometa de 12 canais, além de um rastreador baseado em um microcomputador Raspberry e modems com conexão 3G/4G.
Já a propulsão fica a cargo de um motor a jato Telefly, fabricado na China. O modelo é semelhante ao utilizado no Geran-3, mas apresenta maior capacidade de empuxo. A estrutura ainda é capaz de transportar uma ogiva de 90 quilos e tem alcance operacional estimado em cerca de 1.000 quilômetros.
A adoção dos modelos a jato representa um novo desafio para Kiev. Enquanto os drones Shahed convencionais voam em velocidades relativamente baixas, as versões mais recentes conseguem atingir centenas de quilômetros por hora. O Geran-5 teria capacidade para alcançar cerca de 600 km/h.
Para tentar neutralizar essas aeronaves, a Ucrânia investe em drones interceptadores, pequenos quadricópteros que se tornaram uma alternativa de menor custo para combater os ataques russos. No entanto, muitos desses equipamentos atingem velocidades em torno de 280 km/h, insuficientes para alcançar os drones mais rápidos.
Fabricantes ucranianos afirmam ter desenvolvido versões capazes de voar a aproximadamente 370 km/h, velocidade considerada suficiente para interceptar o Geran-3. Ainda assim, especialistas avaliam que o avanço tecnológico russo exige constantes adaptações dos sistemas de defesa da Ucrânia.
A mudança na estratégia já havia sido antecipada pelo então comandante-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, general Oleksandr Syrskyi. Em junho, ele afirmou que a Rússia pretende que, futuramente, metade das ondas de ataques com drones de longo alcance seja composta por modelos movidos a jato.
Apesar da preocupação com os drones, Pletenchuk ressaltou que a principal ameaça continua sendo os mísseis balísticos russos. Segundo ele, esses armamentos seguem sendo o maior desafio para as defesas aéreas do país.
A Ucrânia afirma enfrentar escassez de sistemas avançados de interceptação, especialmente dos mísseis Patriot fornecidos por aliados ocidentais, considerados essenciais para destruir projéteis balísticos antes que atinjam seus alvos.
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