Em prisão domiciliar, ex-presidente da Colombia está com covid- 19
Álvaro Uribe recebeu uma equipe médica em sua fazenda do departamento de Córdoba, onde cumpre uma decisão da Suprema Corte do país
Internacional|Do R7

O ex-presidente da Colômbia, Álvaro Uribe apresentou teste positivo para o novo coronavírus, nesta quarta-feira (5). De acordo com o jornal El Tiempo, ele não apresenta sintomas da doença. O anúncio ocorre um dia após a Suprema Corte do país aplicar a prisão domiciliar ao ex-presidente.
Segundo o jornal, ele receber uma equipe médica em sua fazenda, no departamento de Córdoba, onde cumpre a decisão que determinou a prisão preventiva, agora substituída por domiciliar. Além dele, seus dois filhos, Jeronimo e Tomás, também estão com covid.
Pagamento a testemunhas
Álvaro Uribe é acusado de fraude processual e suborno em um caso que envolve o senador Iván Cepeda. Em 2012, Álvaro Uribe processou Iván Cepeda acusando-o de manipular paramilitares para testemunhar contra ele. Mas no decorrer do processo, a história se inverteu após Uribe ser acusado de pagar para testemunhas falarem contra Cepeda.
Cepeda fez uma investigação e entrevistou diversos paramilitares presos, que afirmaram que Álvaro Uribe e seu irmão Santiago, junto com empresários de Antioquia, ajudaram a fundar um grupo paramilitar conhecido como Bloco Metro das AUC (Autodefesas Camponesas de Córdoba e Urabá).
Após estas entrevistas virem à tona, Álvaro Uribe processou Iván Cepeda, justamente o processo em que o ex-presidente teve agora, a prisão preventiva decretada. Ao longo da investigação, ficou comprovado que ele pagou testemunhas para que se retratassem dos depoimentos anteriores e mudassem as versões.
Este é o único processo contra o ex-presidente e hoje senador que está adiantado na justiça colombiana. Mas Uribe responde em outros casos mais graves, que apesar de serem mais antigos, não tiveram uma tramitação mais ágil.
Vínculos com o paramilitarismo
Um dos casos mais antigos que tramita na Justiça colombiana contra Álvaro Uribe trata de quando ele ainda era governador do departamento de Antioquia, nos anos 1990. Ele é vinculado aos massacres de El Aro, La Granja e San Roque, cometidos por paramilitares na época.
Na ocasião, o líder comunitário Jesús María Valle Jaramillo denunciou as atrocidades cometidas pelo grupo armado de direita e a forma brutal como vinham ocupando territórios, mas acabou assassinado. Uribe sempre negou ter conhecimento ds massacres, bem como qualquer vínculo com o grupo.
Anos mais tarde, o ex-paramilitar Francisco Villalba, em depoimento contou que Uribe não só tinha conhecimento da atuação do grupo, como também apoiava as ações. Álvaro Uribe voltou a negar e disse que o depoimento de Villalba apresentava incorerências. Anos depois o paramilitar foi assassinado.
Além dos processos que vinculam o ex-presidente e seus familiares com os paramilitares na Colômbia, ele também é acusado de participar de um esquema de interceptações telefônicas ilegais contra políticos opositores, juízes, ativistas de direitos humanos e líderes comunitários através do extinto DAS (Departamento de Administrativo de Segurança).
E ainda um esquema de corrupção no Cogresso para que fosse aprovada sua reeleição.











