Entre protestos, mortos e feridos, Justiça egípcia ordena prisão de Mursi
Internacional|Do R7
Susana Samhan. Cairo, 26 jul (EFE).- A Justiça do Egito ordenou nesta sexta-feira a prisão preventiva do deposto presidente Mohammed Mursi, retido pelo exército, em um dia marcado pelo confronto entre milhares de seus seguidores e opositores, o que deixou pelo menos cinco mortos e 147 feridos. O juiz do tribunal do Cairo, Hassan Samir, anunciou hoje a medida cautelar contra Mursi, deposto pelas Forças Armadas no dia 3 de julho por supostos vínculos com o grupo palestino Hamas e por "ações inimigas contra o país". Mursi também é acusado do assassinato de presos e oficiais da polícia, além do sequestro de oficiais de segurança, do ataque e incêndio da prisão de Wadi Natrun e de atacar instalações das forças da ordem. Mursi foi preso em Wadi Natrun durante a revolução que derrubou o regime de Hosni Mubarak entre janeiro e fevereiro de 2011, mas conseguiu fugir dois dias depois graças ao caos que reinava nos presídios após a debandada dos vigias. Por enquanto, o Ministério do Interior não recebeu nenhuma notificação para começar os trâmites da transferência do islamita a alguma de suas prisões. A ordem do juiz foi aplaudida pelos manifestantes que compareceram aos milhares no começo da noite na praça Tahrir do Cairo, em resposta à convocação do chefe do exército, Abdel Fatah al Sisi, que pediu aos cidadãos que saíssem às ruas para apoiar as forças da ordem na luta contra a violência. "Viemos hoje dizer ao mundo que os egípcios decidiram que Mursi não é competente para ser nosso presidente, porque é o presidente de uma só facção", disse à Agência Efe Hana, dona de casa de 40 anos que compareceu ao movimento acompanhada de seu marido. A praça e os arredores do palácio presidencial de Itihadiya se transformaram em um mar de bandeiras egípcias e de fotografias de Al Sisi, considerado quase como um herói popular. Outro manifestante, Taufiq Abdelkarim, lembrou que, quando Mursi chegou à presidência, no dia 30 de junho de 2012, os egípcios tiveram esperança, mas, depois de um ano de governo, perderam a paciência com um regime que cria a discórdia. Em outros pontos do país, dezenas de milhares de islamitas se manifestavam para dar apoio a Mursi. No tumulto, pelo menos cinco pessoas morreram e 147 ficaram feridas nos confrontos entre os manifestantes pró e contra Mursi. Os confrontos mais graves foram registrados em Alexandria nas imediações da mesquita Al-Qaed Ibrahim, no centro, onde morreram no mínimo duas pessoas e outras 19 ficaram feridas. O exército havia dado um ultimato, que expirou hoje, para o povo "unir-se à pátria", e avisado que, quando acabasse o prazo, mudaria sua forma de reagir à violência dos manifestantes. O porta-voz militar, Ahmed Ali, negou hoje que as Forças Armadas preparem uma invasão aos acampamentos islamitas, e explicou que a convocação de Al Sisi "não é nenhuma ameaça, é uma iniciativa para enfrentar o terrorismo e a violência". A concentração mais numerosa dos islamitas aconteceu hoje na praça de Rabea al Adauiya, em um distrito do Cairo chamado Cidade Naser, onde as fotografias de Mursi eram as favoritas entre os manifestantes. Junto ao palco montado na praça estava o influente religioso islamita Safwat Hegazi, sobre quem pesam duas ordens de detenção por seu suposto envolvimento em atos violentos. Hegazi disse à Agência Efe que o ultimato dado pelos militares não importa: "Não nos interessa, é como se não tivéssemos ouvido. O Conselho Militar e Abdel Fatah al Sisi enlouqueceram pelo sangue que querem verter", afirmou. O religioso disse não ter intenção de entregar-se à Justiça e que os seguidores de Mursi não vão sair da praça: "Desafiamos que nos matem, que acabem com o protesto. Nós não vamos matar ninguém nem vamos resistir", concluiu. EFE ssa-ms/ld (foto)(vídeo)











