Erdogan declara vitória na Turquia, mas oposição contesta resultado
Presidente turco afirma que venceu a eleição e que mais de 90% das urnas teriam sido apuradas; opositores dizem que resultado não é verdadeiro
Internacional|Fábio Fleury, do R7

O presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, declarou vitória na eleição presidencial realizada neste domingo (24). Os partidos de oposição, no entanto, constestam o resultado divulgado pela agência estatal de notícias e dizem que a apuração ainda está longe de terminar.
A comissão eleitoral do país ainda não divulgou os resultados oficiais, mas a agência Anadolu afirma que 95,2% das urnas já teriam sido apuradas. Erdogan seria o vencedor no primeiro turno, com 52,62% dos votos e o segundo colocado, Muharrem Ince, do Partido Republicano do Povo, teria ficado com 30,76%.
Leia também

Turquia vai às urnas neste domingo, mas Erdogan pode ter problemas

Turquia tem referendo histórico sobre poderes presidenciais

Criticado por 'autoritarismo', premiê turco sai fortalecido de eleições

Após antecipar eleição na Turquia, Erdogan começa campanha

Recep Tayyip Erdogan: quem é o presidente de pulso firme que divide a Turquia
A oposição, por sua vez, deu uma entrevista coletiva pouco depois da divulgação desses dados, afirmando que até aquele momento apenas 39% das urnas teriam sido computadas. Fiscais opositores em todo o país receberam a orientação de não deixar as zonas eleitorais.
Poderes ampliados
No poder há 15 anos, Erdogan busca a reeleição para se tornar o líder da Turquia com maior tempo no cargo e também para permanecer presidente até 2023, quando a independência do país completa 100 anos.
Erdogan antecipou a eleição, que estava inicialmente marcada para novembro de 2019, em um ano e meio, para consolidar poderes quase absolutos que obteve em um referendo de revisão da Constituição, feito em abril do ano passado.
A reforma cria um sistema de governo de 'presidência executiva', em que ele teria poderes para influenciar no Legislativo e no Judiciário. O cargo de primeiro-ministro será abolido e suas funções, somadas às do presidente.
Com isso, Erdogan, em caso de vitória, acumulará poderes para indicar ministros, vários níveis do poder judiciário e da burocracia estatal e um ou mais vice-presidentes (o cargo não está em disputa na eleição).
Além disso, o orçamento nacional, até então responsabilidade do parlamento, será feito pelo presidente. O parlamento teria poder para vetá-lo, mas nesse caso o orçamento do ano anterior seria mantido.
Os parlamentares ainda teriam poder para fazer um impeachment do presidente, mas seria necessária uma maioria de dois terços dos votos e o resultado ainda seria julgado pela corte constitucional do país, onde a maioria dos membros será escolhida por indicação presidencial.
Outro resultado importante da eleição é que o Partido Democrático do Povo, com candidatos da etnia curda, conseguiu 11% dos votos na votação parlamentar e, com isso, deverá ter pelo menos 46 cadeiras no Congresso. Para participar do poder Legislativo, um partido precisa ter pelo menos 10% dos votos.













