EUA agirão na Síria independente do apoio britânico
Oposição internacional ao ataque cresceu entre os aliados do governo americano
Internacional|Do R7, com AFP
O presidente americano, Barack Obama, vai atuar na Síria no "melhor interesse" dos Estados Unidos, independentemente da decisão do Parlamento britânico de rejeitar uma intervenção militar, informou uma fonte oficial na última quinta-feira (29).
"Os Estados Unidos continuarão a consultar o governo britânico, um de seus aliados e amigos mais próximos", mas "as decisões do presidente Obama serão guiadas pelo melhor interesse do país", declarou a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Caitlin Hayden.
Obama "pensa que interesses cruciais dos Estados Unidos estão em jogo e que os países que violam as normas internacionais sobre armas químicas devem prestar contas".
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O Parlamento britânico rejeitou na quinta-feira a proposta do governo de David Cameron que abria caminho para uma ação militar contra o regime sírio pelo uso de armas químicas.
"Está claro que o Parlamento britânico, refletindo a opinião pública, não quer uma ação militar britânica" contra a Síria, disse Cameron após a votação.
Cresce a oposição ao ataque
Apesar de indignados com as imagens do ataque químico cometido em 21 de agosto perto de Damasco, de Londres a Berlim, os parlamentares se negam a confiar cegamente nos dirigentes de Estados Unidos, Grã-Bretanha e França para o lançamento de um ataque de represália ao regime de Bashar al-Assad.
Londres é o epicentro desse ceticismo político. A oposição trabalhista se recusa a aprovar um texto proposto pelo premier David Cameron a favor de uma intervenção militar. Ainda não se tem os resultados da investigação da ONU na Síria, o que adia eventuais ataques - que pareciam iminentes há alguns dias.
Segundo pesquisa YouGov/The Times publicada na quinta-feira, apenas 22% dos britânicos são favoráveis a uma intervenção, enquanto 51% se opõem.
Em outros lugares da Europa, as enquetes também refletem posições majoritariamente contrárias a uma intervenção.
Brasil e Argentina rejeitam ataque militar na Síria
Tradicionalmente reticentes ao envio de suas tropas, 58% dos alemães são contra um ataque à Síria, e 33%, a favor, de acordo com uma pesquisa Politbarometer/ZDF.
A Alemanha participou da guerra no Afeganistão, mas, diferentemente de França e Grã-Bretanha, absteve-se de votar no Conselho de Segurança quando se discutia uma intervenção na Líbia em 2011. Na quinta-feira, a chanceler Angela Merkel insistiu em buscar uma solução por intermédio da ONU.
Na França, onde o Parlamento foi convocado para uma sessão extraordinária na próxima quarta, a opinião pública está dividida. Duas pesquisas nesta quinta sobre um ataque militar contra a Síria sob o mandato da ONU apontaram que 55% dos entrevistados são favoráveis, contra 45% (Ifop/Figaro). Na véspera, uma enquete da CSA mostrou 45% a favor, e 40%, contra.
Na Itália, o tema não gera debates: esquerda e direita se recusam a intervir sem o aval da ONU.
A Áustria se mantém cautelosa, assim como a Espanha, o que remete à decisão do Conselho de Segurança, uma década depois que milhões de pessoas tomaram as ruas contra a guerra no Iraque. Soldados espanhóis foram enviados para Bagdá.
No caso do presidente Barack Obama, as reservas são de outra natureza. O Congresso americano não pretende depender das conclusões da ONU, instituição que não desperta a confiança dos republicanos.
Não há dúvidas de que o presidente, descrito pela revista "Time" nesta quinta como um "guerreiro infeliz", vai elaborar uma justificativa legal para uma "resposta" militar. E essa justificativa certamente será em nome do interesse nacional e da violação das normais internacionais sobre armas químicas.
O que democratas e republicanos exigem de Obama é uma descrição de seus planos.
"Que resultados o governo busca conseguir", perguntou o presidente da Câmara de Representantes, o republicano John Boehner, em carta a Obama, na qual ressaltou que uma intervenção militar constitui "um meio, e não uma política" a ser adotada.
Já a imprensa questiona o relatório que a inteligência americana deve divulgar nos próximos dias. "Dado o espetacular fracasso americano no Iraque, quando o governo de (George W.) Bush deflagrou uma guerra por causa de armas nucleares que não existiam, o nível de provas (necessário) é, sem dúvida, mais elevado", defendeu o jornal "The New York Times" em um editorial na quinta-feira.
Desde o começo da crise síria, os americanos mostraram pouca vontade de se envolver de forma crescente, inclusive sem chegar a uma invasão terrestre. A retirada das tropas americanas do Afeganistão, por exemplo, ainda não terminou.
Segundo um estudo da Quinnipac de 8 de julho, 61% dos americanos consideram que não é do interesse do país "se envolver" no conflito sírio. Já 49% se disseram favoráveis ao uso de mísseis de cruzeiro, "que não põe a vida de americanos em perigo".
Em junho, 54% dos americanos criticava a decisão de entregar armas aos rebeldes sírios, de acordo com o Instituto Gallup.
O fiel aliado canadense anunciou, na quinta-feira, que não considera participar de uma intervenção armada contra a Síria.











