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Ex-chefes militares recebem condenações severas por acusação de golpe na Turquia

Caso remonta a junho de 2007, depois de uma operação antiterrorista, sem relação com atuais protestos

Internacional|Do R7

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Um tribunal turco condenou nesta segunda-feira (5) à prisão perpétua um ex-chefe do Exército e pelo menos outras 12 pessoas em um megajulgamento contra 275 acusados de conspirar contra o governo islamista-conservador de Recep Tayyip Erdogan.

O ex-chefe do Estado-Maior do Exército turco entre 2008 e 2010, general Ilker Basbug, 70 anos, foi condenado à prisão perpétua por tentativa de golpe de Estado.


A mesma pena por "tentativa de derrubar a ordem constitucional pela força", segundo o tribunal, recaiu sobre o ex-chefe da polícia, Sener Eruygur, e o ex-comandante do primeiro regimento Hursit Tolon, assim como sobre o jornalista Tuncay Özcan e o chefe do pequeno Partido dos Trabalhadores (PT, nacionalista), Dogu Perinçek.

O conhecido jornalista Mustafá Balbay, do jornal de esquerda Cunhuriyet, eleito durante sua prisão deputado pelo principal partido opositor (CHP, pró-laico), foi condenado a 35 anos de prisão.


A sentença foi de 12 anos para o ex-reitor Mehmet Haberal, que também foi eleito deputado depois de ser preso.

Outros 66 acusados esperavam o veredicto presos.


O tribunal também absolveu 21 dos 275 réus desse megaprocesso, que foi denunciado pela oposição laica como uma caça às bruxas com o objetivo de calar as críticas contra o atual governo do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP).

A leitura das sentenças foi recebida com tumulto entre o público presente, limitada apenas aos acusados, seus advogados, jornalistas credenciados e parlamentares.


"Maldita seja a ditadura do AKP", gritaram os advogados e políticos.

Quase 10 mil manifestantes antigovernamentais se reuniram diante do tribunal de Silivri, onde foram registrados confrontos com a polícia, que lançou gases lacrimogêneos para dispersá-los.

Exibindo bandeiras nacionais e retratos de Mustafá Kemal Ataturk, o pai da república laica, os manifestantes pediam o fim do fascismo e a renúncia do governo.

O início do caso remonta a junho de 2007, depois de uma operação antiterrorista em um bairro humilde de Istambul, onde foram achados armas e explosivos.

O processo ficou conhecido como "caso Ergenekon", referência a um mítico vale que teria sido o berço do povo turco e também nome da rede acusada de ter propiciado um golpe de Estado contra Erdogan, no poder desde 2002, semeando o caos com atentados e operações de propaganda.

As Forças Armadas, que durante décadas se apresentaram como guardiãs dos valores laicos da República, derrubaram três governos democraticamente eleitos desde 1960 e obrigaram a um governo pró-islamita a se demitir em 1997.

Depois da explosão do "caso Ergenekon", foram realizados outros julgamentos contra grupos como Kafes (a jaula), que preparava, segundo a acusação, atentados contra membros das minorias cristãs, ou o Balyoz, que fez sentar no banco dos réus quase 300 militares.

O veredicto do caso Balyoz surpreendeu por sua severidade, ao ditar sentenças de 16 a 20 anos de prisão que afetaram o prestígio das Forças Armadas turcas.

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