Ex-premiê da Espanha Aznar sinaliza que poderia desafiar Rajoy
Internacional|Do R7
MADRI, 21 Mai (Reuters) - O ex-primeiro-ministro da Espanha José María Aznar deixou a porta aberta nesta terça-feira a um possível retorno à política que poderia ameaçar a liderança de seu herdeiro no Partido Popular e atual premiê Mariano Rajoy.
Em entrevista na televisão, algo raro desde que deixou o poder em 2004 e escolhera pessoalmente Rajoy como seu sucessor à frente do PP, Aznar pediu ao governo que reduza os impostos e crie postos de trabalho.
Apesar de ser reconhecido por manter as finanças públicas espanholas sob controle, Rajoy tem sido alvo de críticas por não conseguir reduzir a taxa de desemprego de 27 por cento e pôr fim à recessão econômica.
Embora tenha se negado a responder se voltaria a nomear Rajoy, Aznar, que ocupou o governo entre 1996 e 2004 e é amplamente reconhecido pelo auge econômico da Espanha nesta época, disse que estaria disposto a voltar à primeira linha da política se as circunstâncias extremas exigissem.
"Nunca me esquivei de minha responsabilidade. Cumprirei com minha responsabilidade, com minha consciência, com meu partido e com meu país, com todas as suas consequências. Não tenha nenhuma dúvida disso", disse Aznar quando consultado sobre suas ambições políticas durante a entrevista ao canal Antena 3.
Seu eventual retorno à cena política seria um duro golpe para Rajoy, que tem uma cômoda maioria no Congresso e pouco que temer de uma fragilizada oposição socialista, mas que foi questionado em seu próprio partido pela gestão da crise econômica, assim como pela fraca resposta aos escândalos de corrupção envolvendo autoridades do PP.
Aznar negou qualquer vínculo com esses processos judiciais, afirmando em várias ocasiões que nunca havia recebido bônus de seu partido.
À medida que a economia espanhola se convertia no centro da crise da dívida que atingiu a zona do euro no ano passado, Rajoy voltou atrás em suas promessas eleitorais, aumentou os impostos sobre a renda e os bens de consumo e congelou as pensões.
"A Espanha precisa de uma profunda reforma fiscal... o processo de castigo à classe média foi muito forte. Precisamos recuperar o aparelho produtivo do país e recuperar a classe média", acrescentou Aznar, que pediu um "projeto político claro" a seu partido.
(Reportagem de Julien Toyer)












