Ex-presidente liberiano Charles Taylor cumprirá pena em presídio britânico
Internacional|Do R7
Londres, 10 out (EFE).- O ex-presidente da Libéria Charles Taylor, sentenciado a 50 anos de prisão por crimes de guerra, cumprirá sua pena em uma prisão britânica, informou nesta quinta-feira o secretário de Estado de Justiça do Reino Unido, Jeremy Wright. A sala de apelação do Tribunal Especial para Serra Leoa (TESL), ainda no final de setembro, confirmou a condenação de Taylor a 50 anos de prisão por crimes de guerra e contra a humanidade, os quais foram cometidos durante a guerra civil do país africano (1991-2002). Taylor, que possui de 65 anos e governou Libéria entre 1997 e 2003, cumprirá sua sentença no Reino Unido a pedido dessa corte. Taylor foi o primeiro chefe de Estado a ser condenado à prisão por um tribunal de guerra internacional desde a Segunda Guerra Mundial, ao ser considerado culpado de pelo menos 11 acusações relacionadas com crimes de guerra e contra a humanidade, que incluem ações de terrorismo, assassinato, estupro e utilização de crianças-soldado. Em comunicado, Wright informou hoje ao Parlamento que Taylor será transferido a uma prisão britânica, ainda sem precisar qual, para cumprir a pena estipulada pelo TESL. "A justiça internacional é uma parte central da política externa. É essencial para assegurar os direitos dos indivíduos e dos Estados, assim como para assegurar a paz e a reconciliação", declarou Wright na nota. Segundo o ministro britânico, a condenação de Taylor pode ser considerada "um marco na justiça internacional", já que "demonstra claramente que aqueles que cometem atrocidades prestarão contas e que, independente de sua posição, não desfrutarão de impunidade". Suécia e Ruanda também tinham se oferecido para encarcerar o ex-dirigente liberiano. Em maio de 2012, o ex-presidente liberiano foi condenado a 50 anos de prisão pelo TESL por instigar os rebeldes de Serra Leoa a cometer crimes atrozes nesse país durante a guerra civil, que resultou na morte de pelo menos 50 mil pessoas e afetou outras 100 mil, entre elas muitos mutilados. De acordo com a decisão do TESL, Taylor forneceu armamento aos rebeldes da Frente Unida Revolucionário (RUF, em inglês) em troca de diamantes. Na ocasião, os juízes também esclareceram que a pena estipulada seria contada a partir da data em que Taylor foi detido para enfrentar o julgamento, ou seja, a partir de março de 2006. No entanto, a pena decretada foi inferior aos 80 anos que era reivindicado pela Promotoria, levando em consideração que o ex-presidente liberiano não tinha participado diretamente nos crimes, mas teria sido cúmplice ao fornecer apoio logístico e moral aos rebeldes. EFE prc/fk











